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Sem Rodeios

Moraes empurra o STF para um regime de exceção

Mesmo diante de denúncias e reportagens que circularam na imprensa sobre encontros e relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nada resultou até agora em consequências formais para o ministro. Reportagens como a do Portal Metrópoles afirmaram que Moraes teria se reunido na mansão de Vorcaro com o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no contexto da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB em 2025 — mas o ministro negou categoricamente que tal reunião tenha ocorrido, chamando a publicação de “falsa e mentirosa”, usando a instituição em sua defesa e acusando as denúncias como um “padrão criminoso de ataques” contra integrantes do STF.

Nesse mesmo contexto, o presidente Lula teve um almoço reservado com Moraes fora das agendas oficiais, em meio à repercussão do caso Banco Master. O encontro ocorreu em Brasília e não foi divulgado oficialmente pelo Planalto nem pelo Supremo.

O caso ganha contornos mais complexos pelo fato de que, antes da liquidação do Banco Master por suspeitas de fraude, o escritório de advocacia da família de Moraes — do qual sua esposa é sócia — prestou serviços ao banco, e a investigação da PF foi remetida ao STF em dezembro de 2025. Apesar do volume de reportagens e denúncias até o momento não houve abertura de inquérito ou afastamento disciplinar de Moraes no STF.

Senadores reforçam pedido de impeachment de Toffoli

Senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF) protocolaram no Senado um aditamento ao pedido de impeachment do ministro do STF Dias Toffoli, acrescentando novas denúncias baseadas em reportagens investigativas e dados públicos. O documento aponta possíveis conflitos de interesse e suspeição, citando vínculos familiares e econômicos ligados ao Resort Tayayá, no Paraná, além de conexões com estruturas financeiras relacionadas ao caso Banco Master, que tramita sob relatoria do próprio Toffoli no Supremo. Os parlamentares afirmam que esses elementos comprometem a imparcialidade — e a aparência de imparcialidade — do ministro, fundamento previsto na Constituição, no Código de Processo Civil e na Lei do Impeachment. O pedido foi encaminhado como termo aditivo à representação apresentada em 14 de janeiro de 2026 e aguarda análise da Presidência do Senado.

Lula tenta descolar Planalto do caso Master

O presidente Lula (PT) tem tentado afastar a crise política gerada pelo caso envolvendo o Banco Master do foco do Planalto, defendendo publicamente a necessidade de apurações independentes e rigorosas por parte da Polícia Federal e do Banco Central, ao mesmo tempo em que cobra que o governo não adote uma postura de defesa defensiva do Executivo diante das investigações. Lula também tem buscado minimizar o desgaste institucional causado pelo episódio, em meio a revelações de um encontro fora da agenda com o dono do banco, Daniel Vorcaro, e questionamentos sobre contratos de consultoria envolvendo o ex-ministro Ricardo Lewandowski, enquanto auxiliares dizem que não há temor sobre as investigações e reforçam que o caso deve ser tratado tecnicamente até o completo esclarecimento dos fatos.

Fachin diz que caso Master pode sair do STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que o inquérito que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master, atualmente sob relatoria do ministro Dias Toffoli, pode ser deslocado para instâncias inferiores, já que há um movimento interno para avaliar se a competência da Corte ainda se justifica depois das fases iniciais da investigação. Fachin declarou que “há uma tendência” de que o processo não permaneça no STF e que será possível revisar essa questão após o andamento dos atos como depoimentos e extrações de documentos. A investigação começou na Justiça Federal em Brasília e subiu para o STF depois que um deputado federal foi citado nas apurações. O caso tem gerado questionamentos sobre a condução do inquérito e críticas à relatoria de Toffoli, inclusive por pedidos de afastamento por suposto conflito de interesses, embora representações tenham sido arquivadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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