Uma pesquisa internacional e levantamentos nacionais indicam que até 61 milhões de brasileiros vivem em áreas dominadas por facções criminosas e milícias, onde prevalecem regras paralelas ao Estado e a presença do crime organizado, com relatos de cemitérios clandestinos, confrontos armados e influência em bairros grandes e pequenas cidades; os dados mostram que a insegurança pública avançou nos últimos anos e passou a ser uma das principais preocupações da população, revelando dificuldades das autoridades em conter a expansão dessas organizações em todo o país.
O avanço do crime organizado ampliou as críticas ao governo do Lula, acusado por opositores e especialistas de falhas na política de segurança pública, de discurso considerado leniente com criminosos e de incapacidade de conter a expansão das facções, especialmente em grandes centros urbanos e regiões estratégicas do país.
Preocupação com segurança pressiona avaliação negativa de Lula
Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (13) mostra que a preocupação com a segurança pública está pressionando negativamente a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 50% dos entrevistados desaprovando o governo e 47% aprovando — diferença dentro da margem de erro — e quase metade dos brasileiros considerando o desempenho na área de segurança “ruim” ou “péssimo”; a percepção de violência como problema principal tem sido um ponto de desgaste para a gestão, mesmo com avaliações também desfavoráveis em outras áreas como economia e saúde.
MJSP pede à PF investigação de Flávio por postagem contra Lula
O Ministério da Justiça e Segurança Pública encaminhou à Polícia Federal (PF) um pedido para que a corporação avalie uma investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por uma postagem nas redes sociais em que ele associou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ditador venezuelano Nicolás Maduro e a supostos crimes, como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A solicitação de apuração foi apresentada pela deputada Dandara Tonantzin (PT-MG), que sustenta que as declarações de Flávio podem configurar crimes contra a honra — como calúnia, difamação e injúria — e não estariam protegidas pela imunidade parlamentar por não estarem ligadas a atos do mandato. O pedido foi protocolado na quarta-feira (7) e enviado à PF dois dias depois, em um dos últimos atos do então ministro Ricardo Lewandowski à frente da pasta. A deputada ressaltou que a postagem viraliza e, segundo ela, “coloca a democracia em risco” ao disseminar acusações sem provas. A PF ainda não se pronunciou sobre prazos ou abertura formal de investigação.
Defesa de Bolsonaro protocola recurso para levar processo ao plenário do STF
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta segunda-feira (12) um agravo regimental ao Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de reverter a decisão do ministro Alexandre de Moraes que barrou a tramitação de embargos infringentes no processo em que ele foi condenado por tentativa de golpe de Estado. O novo recurso solicita que Moraes reconsidere sua decisão ou submeta a questão ao plenário da Corte, composto pelos 11 ministros, para que seja discutida a admissibilidade dos embargos e a possível anulação da ação penal ou absolvição de Bolsonaro. A defesa argumenta que a exigência de dois votos favoráveis à absolvição — condição para interpor embargos infringentes — não estaria prevista de forma clara no regimento interno quando a decisão é tomada por uma das turmas do STF, e que isso restringiria o direito ao duplo grau de jurisdição. O recurso também retoma a tese de cerceamento de defesa devido ao acesso tardio a um grande volume de provas e questiona a competência da Primeira Turma para julgar o caso. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, e a defesa repete argumentos processuais para buscar novo julgamento no colegiado completo da Corte.
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