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Lista de falecimentos - 01/06/2015

Lenira Palmeiro: a legionária que se despediu no mês de Maria

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Nos últimos instantes da cerimônia de despedida de Lenira Palmeiro, o sacerdote pediu que os familiares dissessem algumas palavras que marcaram a trajetória da paranaense. Amor, fé, bondade e companheirismo foram apenas alguns traços de sua personalidade citados naquele momento.

Nascida em abril de 1932, em Teixeira Soares, nos Campos Gerais, Lenira foi a 12.ª filha de Alice e José, que tiveram 14 herdeiros. Ainda criança, enfrentou a perda do pai, aos 8 anos e, tempos depois, veio com a mãe e parte dos irmãos para a capital. De família humilde, desde cedo trabalhou para ajudar nas despesas da casa. Uma de suas primeiras ocupações foi em uma fábrica de doces.

Sempre religiosa, foi uma das “Filhas de Maria” da Paróquia Bom Jesus do Portão. O tempo passou e a bela e jovem Lenira conheceu e se apaixonou por Nivaldo. O casamento aconteceu em 24 de junho de 1951. Era dia de São João. Quase um ano depois, em junho de 1952, nascia o filho Luiz.

Com o apoio da mãe e da irmã, Aracy, Lenira criou o menino. Foi dona de mercearia e de lanchonete. Mas o emprego do qual mais se orgulhava era ter sido técnica em enfermagem no Hospital de Clínicas. Tinha muito jeito para cuidar dos enfermos. Foi assim que zelou por muitos de seus irmãos e da mãe até o fim de suas vidas.

Também se formou cabeleira e exibia com orgulho o diploma. Após anos de muito trabalho, conseguiu se aposentar. A alegria foi tanta que até fez uma festa para comemorar, em 1992. Mesmo depois da aposentadoria, não parou. Até os anos 2000, trabalhou com o filho no comércio da família.

Se veio de família grande, formou uma pequena. Teve um filho e uma neta. O quarteto era formado com a nora, Salete. Juntos, os quatro mudaram-se para o bairro Santa Quitéria, em Curitiba, no fim da década de 1980. Sempre estavam juntos no dia a dia, nos almoços de domingo, nos passeios e nas missas.

Quando já não precisava mais se dedicar ao trabalho, ela destinou grande parte de sua atenção para as atividades da Paróquia de Santa Quitéria. Foi legionária de Maria, participava do grupo de oração, da interseção e também da confecção de fraldas para o Pequeno Cotolengo. Enquanto teve saúde, esteve diretamente envolvida com as ações da comunidade. Viajou com as amigas da igreja para Nova Trento (SC) e conheceu o Santuário de Santa Paulina. Ia às festas religiosas em Paranaguá e foi até a uma missa do padre Marcelo Rossi, em São Paulo. Com a família, foi três vezes ao Santuário Nacional de Aparecida.

Em 2005, o filho decidiu que era hora de um novo membro integrar a família. Maylow, um cachorro “linguicinha”, trouxe alegria para todos. Lenira logo se apaixonou pelo mascote. Fez roupinha, deu carinho e cuidados. Chegou até a fazer novena para São Francisco de Assis, protetor dos animais, quando o peralta engoliu um de seus medicamentos para a pressão. Foi um susto.

A partir dos 40 anos, Lenira começou a tomar remédios para a pressão. Idosa descobriu o diabetes. Sempre fez dieta e foi regrada com a alimentação. A vida seguia calma até que teve um acidente vascular cerebral (AVC) em 2009. Ficou sete dias internada. Saiu do hospital três dias antes do Natal. Conseguiu comemorar o nascimento de Cristo e o aniversário da neta em casa com a família.

A saúde foi ficando mais frágil e, em 2014, o Alzheimer se manifestou. A independência foi ficando para trás. No fim daquele ano veio uma nova internação. Dessa vez, Lenira passou o Natal no hospital e saiu de lá com a falta de ar que a acompanhou até os últimos dias. A memória já não era mais aquela de outros tempos, mas não se esqueceu daqueles que amava nem de sua fé. Oito dias depois de completar 83 anos, passou mal. Não voltaria mais para casa. Passou por dois hospitais, foi parar na UTI, teve trombose, sobreviveu à cirurgia de emergência e estava se recuperando. Mas uma infecção generalizada levou a idosa novamente para a UTI. Partiu após 12 dias de internação. Faleceu em 1.º de maio, primeiro dia do mês dedicado à Maria. Era também o dia de São José, padroeiro dos trabalhadores.

Deixa o filho Luiz, a nora Salete, a neta Fernanda, a irmã Zenita, a comadre Bernadete, a afilhada Ana Paula, muitos sobrinhos e o fiel companheiro Maylow.

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