
Nascida em Curitiba, Myrian Portugal Bacellar quase não ia para longe da cidade. Seu programa com o marido Romeu Bacellar e com os amigos sempre foi fazer pequenas viagens. Juntos, iam para a Ilha do Mel ou para a chácara da família em Ouro Fino, em Campo Largo.
Vizinha de Romeu, o conheceu pela janela de casa no início da década de 1940. Em 1943, casaram. Tiveram sete filhos, pelos quais a curitibana dedicou todo o tempo. Inspirada no nome do marido, falecido há 15 anos, ela deu aos sete meninos nomes que começam com a letra R: Rui, Romeu Filho, Rogério, Rubens, Ricardo — já falecido —, Ronaldo e Roberto.
Quando moça, Myrian tinha duas grandes paixões, tocar violão e andar a cavalo. Era uma exímia cavaleira e também grande musicista. Deixou de lado as montarias quando mais velha, mas não o violão, que se tornou a grande distração dela com os filhos. Os dois mais novos, Ronaldo e Roberto, também tocavam e juntos com a mãe faziam “rodas de viola”. As músicas clássicas eram sua especialidade.
Myrian tinha grande prazer em cozinhar para os meninos. Preparava verdadeiros banquetes. Não tinha como ser menos, a combinação era perfeita, já que Myrian amava cozinhar e os seis filhos amavam comer.
O ditado “a paciência é uma virtude” resumia bem a personalidade da curitibana. Nunca se alterava, mesmo nos momentos difíceis. Era boa ouvinte e grande conselheira. Não importava o tamanho do problema, sempre acalmava filhos e netos dizendo que “não há mal que dure para sempre e nem bem que nunca se acabe”.
Myrian era quase que um “ponto de encontro” da família. Onde ela estava, lá iam todos. Chegou a “abrigar” mais de 20 pessoas em casa durante as viagens. Ela era também a responsável pelo tradicional almoço de domingo, organizava tudo. Depois das refeições, ela também comandava a contação de histórias de família. Os personagens quase sempre eram os pais Clotário e Anita Portugal. “Ela queria manter viva as histórias da família. Encontrou nos almoços uma forma de passar isso para frente”, diz o filho Romeu.
A história da família também podia ser vista por quem olhasse as fotografias expostas nas paredes de toda a casa. Gostava de ter a imagem mais recente de todos.
Tinha memória exemplar. Daquelas de causar inveja a qualquer jovem. Nunca esqueceu um aniversário ou data comemorativa da família. Lembrava dos dias do nascimento, casamento e outras ocasiões importantes de todos os filhos e netos. E fazia questão de ligar e comprar um “presentinho” para comemorar em todas elas. Nos natais, realizava doações de brinquedos, agasalhos e comida coletados com toda a família. Movimentava também “campanhas” entre filhos, noras e netos durante todo o ano.
Myrian estava internada há alguns dias para tratar de uma inflamação no intestino. Durante o período em que esteve na UTI, alguns órgãos tiveram as funções comprometidas. Na recuperação, não resistiu a uma falência múltipla dos órgãos. Deixa seis filhos, 16 netos e 15 bisnetos.







