O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, foi sorteado nesta quarta-feira (11) como relator do pedido para que o Congresso Nacional instale uma CPI para investigar o relacionamento do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB). Pouco depois, ele se declarou suspeito alegando razões de "foro íntimo".
O mandado de segurança (MS) foi impetrado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSD-DF). Rival do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), Rollemberg articulava-se para coletar assinaturas para instalar o colegiado desde novembro, quando o banqueiro e dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero. Na petição, Rollemberg alega que a presidência da Câmara se omite ao não instalar os trabalhos.
Não há prazo para que o ministro Dias Toffoli dê um parecer sobre o caso, segundo as regras do regimento do STF. O magistrado pode se declarar impedido, de acordo com o mesmo regimento. Procurado pela reportagem, o STF informou apenas o número do MS.
PGR sabia de vazamento de dados sigilosos para Vorcaro desde 2025
A Procuradoria-Geral da República foi informada ainda em novembro de 2025 de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tinha acesso indevido a dados sigilosos da investigação que corria contra ele. O alerta ocorreu após a Polícia Federal apreender o celular do empresário, cuja análise revelou que os vazamentos aconteciam desde meados de 2025, por meio de documentos, prints e fotos extraídos de sistemas institucionais.
Segundo investigadores, parte do material chegava a Vorcaro por intermédio de Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, apontado como operador do grupo que teria hackeado senhas de servidores para acessar informações da PF, do MPF e até da Interpol. Além de dados sobre o inquérito principal, o ex-banqueiro também teria obtido informações de apurações do Banco Central envolvendo o Banco Master.
A PGR, contudo, não comentou oficialmente o caso, enquanto a defesa de Vorcaro sustenta que não se manifestará sobre conteúdos originados de vazamentos ilegais. As revelações reforçam suspeitas de que o ex-banqueiro tentou fugir do país quando foi preso em 17 de novembro, episódio que marcou a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Partido Novo pede afastamento de Alcolumbre
O Partido Novo apresentou uma representação ao Conselho de Ética do Senado pedindo o afastamento do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), por suposta omissão ao não pautar pedidos de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. A sigla alega que Alcolumbre utiliza seu poder de agenda de forma "omissiva e seletiva", impedindo o Legislativo de exercer sua função de fiscalização e travando dezenas de solicitações que aguardam análise.
Segundo o Novo, a conduta do presidente do Senado também inclui ignorar pedidos de instalação de uma CPMI destinada a investigar o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A legenda afirma que a resistência de Alcolumbre compromete o funcionamento institucional adequado e configura abuso de poder, já que a prerrogativa de pautar pedidos não deveria ser utilizada para bloquear o exame de temas sensíveis ao país.
A iniciativa do partido ocorre no mesmo contexto em que Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, protocolou um novo pedido de impeachment de Moraes, argumentando que ministros do STF não podem se colocar acima da lei. Outros parlamentares, como o senador Eduardo Girão, também criticaram a postura de Alcolumbre e defendem que o Senado deve retomar seu papel de fiscalização e enfrentar o acúmulo de mais de 40 pedidos de impeachment de ministros que permanecem parados na Casa.



