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operação guilhotina

27 policiais do Rio são presos sob suspeita de ajudar o tráfico

Investigação mostrou que agentes passavam informações para quadrilhas, roubavam traficantes e tinham ligação com milícias

A Polícia Federal (PF) prendeu ontem, no Rio de Janeiro, 35 pessoas – entre elas oito policiais civis e 19 militares – acusadas de corrupção, roubo e ligação com traficantes de drogas. Entre os presos estão o ex-subchefe da Polícia Civil do Rio Carlos Antônio Luiz Oliveira, que se entregou no fim da tarde. Pelo menos 45 mandados de prisão foram cumpridos por 380 agentes federais e 200 policiais de forças estaduais. A Justiça também expediu outros 48 mandados de busca e apreensão.

A operação, batizada de Guilhotina, foi feita em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública do Rio e o Ministério Pú­­blico Estadual. Segundo as investigações, alguns dos envolvidos no esquema recebiam até R$ 100 mil de propina por mês para proteger traficantes como Antonio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico nas favelas da Rocinha e do Vidigal, em São Conrado.

Acusados de fazer jogo duplo, os policiais foram flagrados, em escutas e e-mails, informando pessoas ligadas a Nem sobre operações nas favelas dominadas pelo tráfico. Um dos vazamentos aconteceu durante a operação Paralelo 22, da PF, em setembro de 2009. O objetivo era prender o traficante Rogério Rios Mosqueira, conhecido como Roupinol, que atuava na favela da Rocinha em parceria com Nem. Roupinol foi avisado da operação. Investigações da PF teriam revelado que o agente duplo era ligado a Oliveira. Desde janeiro ele atuava como subsecretário de Operações da Secretaria Especial da Ordem Pú­­blica, da prefeitura do Rio. A pre­­feitura anunciou que irá exonerá-lo.

A delegada Marcia Beck, titular da 22.ª Delegacia de Polícia, na Penha, teve de prestar esclarecimentos. Ela é suspeita de ter protegido o inspetor Cristiano Gaspar Fernandes, que tinha prisão decretada. Cristiano é filho de Ricardo Afonso Fernandes, que seria chefe de uma milícia em Ramos, e teria telefonado para a delegada quando ocorria busca e apreensão na 22ª Delegacia. Cristiano teria pedido para Márcia mentir que ele estava de férias. Três policiais da unidade tiveram mandados de prisão expedidos.

O chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Alan Turnowski, também prestou esclarecimentos na PF. "Vou falar o que tenho que falar. Vou falar tudo", disse ele antes do depoimento.

Roubos

Durante as investigações, a PF descobriu que os policiais não prendiam os traficantes e os roubavam. Pelo menos nove policiais civis e militares foram flagrados saqueando dinheiro e pertences de moradores e traficantes dos Complexos da Penha e do Alemão. Eles também teriam envolvimento com a segurança de pontos de jogos clandestinos (máquinas de caça-níqueis e jogo do bicho).

À tarde, policiais vasculharam áreas próximas à favela Roquete Pinto, em Ramos, em busca de corpos. A comunidade é dominada pela milícia da qual fazem parte 21 pessoas que tiveram a prisão preventiva decretada. A polícia concentrou as buscas no Iate Clube de Ramos e no Piscinão de Ramos. No Iate Clube, mergulhadores vasculham as proximidades do píer, onde corpos teriam sido jogados. Já no Piscinão, foi utilizada uma escavadeira do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Até o final da tarde, não haviam sido encontrados quaisquer vestígios.

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