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Natal

45 anos recheados de muitas emoções

Com quase 83 anos, a jornalista Rosy de Sá Cardoso guarda belas histórias do seu alterego natalino. Ela é o Papai Noel de familiares e amigos há 45 anos. Sem filhos ou sobrinhos, essa senhora nunca economizou disposição para vestir a roupa vermelha e distribuir ‘ho-ho-hos’ por aí. Começou com o filho de uma prima, que, aos 6 anos, já andava descrente da existência do bom velhinho. Atenta à dúvida do menino, que intimou a mãe quando percebeu a ausência do pai enquanto a visita do Papai Noel acontecia, Rosy aceitou susbtituí-lo. "Lembro até hoje do rostinho dele ao me ver. Olhava para mim, olhava para o pai, olhava para mim de novo. Até me abraçar e exclamar: ‘Você existe!!’", conta, tentando disfarçar os próprios olhos marejados.

Visitas

Daí para a peregrinação das visitas natalinas foi um pulo. A irmã, falecida em 2003, era a secretária oficial da "Rosy Noel". Além de baldear a figura natalina para cima e para baixo, Regina organizava a agenda e o itinerário. Juntas, chegaram a cumprir sete visitas em uma noite. Em cada uma delas, uma coleção de histórias emocionantes: o filhote de cachorro que arrancou lágrimas de uma menininha de 5 anos, a conversa de pé de orelha, à paisana, para explicar à filha de outra parente que ela era uma das milhares das escolhidas do verdadeiro Papai Noel, para ajudá-lo na missão de distribuir os presentes pelo mundo. Foi flagrada uma vez, pela irmã mais velha de quatro crianças, que descobriu no quarto dos fundos a roupa que ela usaria durante a ceia, depois da distribuição de presentes. "A garota percebeu que nós chegamos assim que Papai Noel havia saído e prensou a mãe, perguntando se era a ‘Rosy da Regina’, ou a ‘Regina da Rosy’ que se fantasiava. Sem saída, a mãe confessou. Mas ela manteve o segredo para não quebrar a fantasia dos irmãos", lembra.

A cumplicidade construída com as crianças foi o combustível que moveu Rosy ao longo dos anos. Depois da doença e da morte da irmã, ela restringiu a atividade a duas casas. Neste ano, depois de cumprir o compromisso na capital, Rosy vai "exportar" o Papai Noel. Viaja a Londrina na tarde da véspera de Natal, faz a alegria dos bisnetos postiços e retorna ainda na noite do dia 24. Isso se as crianças deixarem. (APF)

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