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Um desmoronamento de terra bloqueou a BR-376 entre o Paraná e Santa Catarina

Cerca de 80 estudantes de dois colégios de Curitiba estão isolados no Parque Aquático Cascanéia, no município de Gaspar, em Santa Catarina, desde sábado (22). De acordo com o Corpo de Bombeiros do Estado, as duas rodovias que dão acesso ao parque, a BR-470 e a SC-470, estão interditadas desde a tarde de sábado por causa de queda de barreira, alagamento na pista e um buraco no asfalto. No total, estima-se que 600 pessoas estão no parque.

Segundo o major Flávio Graff, relações públicas do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, há dois trechos da SC-470 fechados: no quilômetro 32 por causa de uma queda de barreira, e na altura do município de Itajaí, município vizinho, onde o nível de água acumulada chega a um metro de altura por causa do aumento no nível do rio Itajaí-Açu. "Na BR-470, uma explosão em um gasoduto no início da tarde de sábado abriu um buraco na pista, impedindo totalmente o tráfego rodovia", conta Graff. Na manhã desta segunda-feira, equipes da empresa responsável estavam no local fazendo reparos no sistema.

Cerca de 40 turistas são alunos do Colégio Estadual do Paraná (CEP), de Curitiba, e fazem parte da turma do 3º ano noturno do ensino médio da escola. Procurada pela reportagem da Gazeta do Povo, a direção geral do colégio informou que não estava sabendo da viagem dos estudantes, que teriam organizado o passeio de forma independente.

Kelli Cristina Mölleken, mãe do estudante Richard Eduard Mölleken, de 17 anos, que participa da excursão do CEP, conta que os alunos saíram às 4 horas da madrugada de sábado de Curitiba e chegaram por volta das 10 horas no parque aquático. "Logo na viagem de ida meu filho disse que já estava chovendo bastante", lembra Kelli. Ela conta que a última vez que conseguiu falar com o jovem foi na noite de domingo (23), quando Mölleken ligou para ela pelo telefone celular de uma colega. "Depois disso não consegui mais falar com ninguém. Todos os celulares devem estar sem bateria", conta.

Na última conversa, o estudante contou para a mãe que o grupo está sem luz no local e racionando a comida, que estava quase acabando. "Ele disse que tomou meio copo de café e comeu um pão ontem de manhã para não faltar alimento", diz Kelli. Segundo ela, os alunos iriam ficar apenas um dia no passeio e, por isso, não levaram comida nem roupas extras. "Não consegui dormir esta noite de tanta preocupação".

Estudantes de 13 a 16 anos

Outras 42 pessoas, de 13 a 16 anos, são estudantes e funcionários do Colégio Estadual Padre Silvestre Kandora, também de Curitiba. Os alunos cursam da oitava série ao ensino médio na escola, segundo Cícero Donadeli, diretor do colégio. Donadeli conta que os adolescentes viajaram no sábado de manhã, acompanhados por dois professores e uma funcionária da escola. "Eles pretendiam retornar no mesmo dia, quando começasse a escurecer", conta. "Como houve esses problemas nas rodovias, eles tiveram que ficar por lá, nos ônibus". A excursão do colégio não tem nenhuma relação com o passeio dos estudantes do CEP, segundo ele.

De acordo com o diretor, vários pais de alunos estão procurando o colégio desde domingo, em busca de notícias dos filhos. "Estamos procurando tranqüilizar os pais, dizendo que estamos acompanhando e que está tudo bem", explica Donadeli. "Não podemos fazer muita coisa daqui", lamenta. Ele afirma que os alunos têm alimentos suficientes, que teriam sido cedidos pelos administradores do parque aquático, e que estão sendo supervisionados pelos professores. "É melhor eles ficarem dentro do parque do que tentarem sair no ônibus e ficar no meio da rua".

Donadeli informa manter contato com a funcionária do colégio, que acompanha os estudantes, por meio do telefone celular. "Às vezes ela não consegue sinal, mas quando ela vai para um local mais alto, o telefone funciona".

Situação desesperadora

Para Cláudio Fagundes, pai de outra estudante do CEP que está isolada em Gaspar, no entanto, a situação dos alunos é "desesperadora". "Eles estão no ônibus, porque até os alojamentos estão com risco de desabamento", afirma. Ele conta que falou com a filha, Cláudia Poliana Fagundes, de 17 anos, também no domingo à noite. "Ela chorava muito porque disse que houve um princípio de incêndio próximo do parque e queria saber o que estava acontecendo".

Segundo o major Graff, o incêndio atingiu uma residência no sábado e foi provocado pela explosão do gasoduto nas proximidades. Não há informações de feridos em decorrência do acidente.

Socorro

No final da manhã desta segunda-feira um helicóptero se deslocou para o município para levar medicamentos para o parque. "A prioridade é a saúde deles. Há pessoas diabéticas no local que estavam sem insulina", conta o major Graff. Segundo ele, o helicóptero comporta apenas quatro pessoas, contando a tripulação, o que dificulta o trabalho de resgate. "A retirada de pessoas é muito difícil, mas essa não é prioridade, já que eles têm onde se acomodar", afirma.

O município de Gaspar fica localizado no Vale do Itajaí, a cerca de 120 quilômetros de Florianópolis. Até o final da manhã, as condições meteorológicas não ajudavam o trabalho da Defesa Civil. "Estamos aguardando tempo melhorar para enviar mantimentos", afirma. "O maior problema não são as chuvas, que não cessaram, mas as nuvens, que prejudicam muito a visibilidade", explica.

Itapoá

De acordo com o telejornal ParanáTV 1ª edição, 45 professores aposentados paranaenses estão isolados em uma colônia de férias em Itapoá. O grupo deixaria o local na tarde de domingo, mas alagamentos impediram que eles deixassem a colônia. Todos passam bem e têm comida.

Calamidade

A chuva que atinge Santa Catarina desde o fim de semana já havia deixado 35 mortes, segundo a Defesa Civil do Estado, no final da manhã desta segunda-feira. Mais de 19.800 pessoas tiveram que deixar suas casas até a manhã desta segunda-feira (24). No total, mais de 1,5 milhão de pessoas foram prejudicadas. Uma das cidades mais atingidas é Blumenau, onde foram registradas dez mortes. O prefeito João Paulo Kleinübing decretou calamidade pública na noite de domingo (23). O nível do Rio Itajaí-Açu chegou à marca de 11,52 metros no centro da cidade.

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