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Separatismo

A luta isolada pela emancipação do PR

A história do capitão Bento Viana mostra como a luta pela independência política do Paraná começou bem antes de 1853 e precisou de tempo para ganhar adeptos

No Museu Paranaense, exposição explica a emancipação, liderada por Góes e Vasconcelos | Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo
No Museu Paranaense, exposição explica a emancipação, liderada por Góes e Vasconcelos (Foto: Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo)
Quadro da chegada de Góes e Vasconcelos, o primeiro governador do Paraná |

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Quadro da chegada de Góes e Vasconcelos, o primeiro governador do Paraná

O povo e as autoridades estavam reunidos em uma praça de Paranaguá diante do juiz Antonio Azevedo de Melo e Carvalho. Era 15 de julho de 1821. Todos juraram lealdade à Constituição Imperial. Inesperadamente, o capitão Floriano Bento Viana levantou-se em direção ao magistrado. O comandante da guarda do Regimento de Milícias clamou pela separação da comarca de Curitiba e Paranaguá da capitania de São Paulo.

Durante o brado, que ficou conhecido nos livros de história como conjura separatista, Bento Viana solicitou a nomeação imediata de um governo provisório separado da capitania paulista. E também que a situação fosse comunicada a dom João VI. O juiz ouviu o discurso do capitão, e rapidamente disse: "Ainda não é tempo". Viana retrucou e esperou que outros que lutavam pela emancipação se pronunciassem.

Mas o que viu foram todos os seus colegas amedrontados diante da rápida e pronta resposta do magistrado. Viana, um dos primeiros a defender a criação do que se tornou o estado do Paraná, ficou abandonado na luta pela emancipação do estado.

Solitário em sua proclamação, ele escapou de severas punições porque a Coroa Portuguesa reconhecia seu valor lealdade. O que mais intrigou Viana foi ter sido abandonado em momento tão importante. Seu pronunciamento já havia sido combinado com demais líderes emancipacionistas, que inclusive o haviam procurado dias antes. Essas lideranças julgavam imprescindível o apoio do capitão.

Liderança

Segundo o historiador Wilson Maske, o capitão Viana era um líder da região e um homem que todos julgavam ser de extrema confiança. "Esse episódio influenciou o ideal emancipacionista no Paraná. O discurso de Viana teve uma importância muito grande."

Dentre os motivos que fizeram com que Viana peitasse a autoridade judicial estava o abandono em que se encontrava a região, além da falta de justiça devido à dificuldade em entrar com recursos perante autoridades paulistas e até falta de moeda na comarca. Os apelos de Viana foram sumariamente ignorados e a conjura separatista não obteve, naquele momento, êxito.

Após o episódio em Para­naguá, outras localidades, como Morretes, Antonina, Castro e Lapa também entraram na luta para endossar a vontade de Viana.

Antecedentes

Antes da luta de Viana, o território que hoje forma o Paraná já havia experimentado a sensação de ser emancipado. Em 1660, tinha sido criada a capitania de Paranaguá, que existiu somente até 1710. A partir desse período, ela foi incorporada pela capitania de São Vicente e Santo Amaro, formando mais tarde a capitania de São Paulo.

"Já existia essa memória de independência, afinal a região já teve anteriormente uma liberdade política", explica Maske. A capitania se São Paulo foi dividida em duas comarcas – a do Sul era sediada em Paranaguá e em 1812, a sede passou a ser em Curitiba.

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