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A agência Lupa, que mantém parceria com o programa de combate à desinformação do Supremo Tribunal Federal (STF), publicou em 2024 que o ministro Dias Toffoli não era dono do resort Tayayá, desmentindo um vídeo que circulava na época.
Com as novas informações do escândalo do Master, a nota que descartava a informação como "falsa" mudou para uma de “informação sem contexto” – sem admitir que a versão anterior errou.
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O gabinete de Toffoli reconheceu nesta quinta-feira (12) que ele era sócio dos irmãos na empresa de participações Maridt, que integrava o quadro de sócios do resort no interior do Paraná. Na época da nota da Lupa, dezembro de 2024, o ministro ainda compunha o quadro societário da Maridt.
Diante disso, a agência atualizou também nesta quinta o conteúdo da checagem, dizendo que a informação anterior da nota da Lupa precisava do complemento de que Toffoli integrava o quadro societário. No entanto, diz a Lupa, já mencionava a existência da Maridt como dona do resort.
“A versão anterior deste texto, publicada em dezembro de 2024, já trazia a informação da Maridt no grupo proprietário do resort, mas informava que o nome do ministro não constava no quadro societário da empresa, segundo buscas feitas em dezembro na Receita Federal. O texto foi ajustado para inserir na apuração a nota apresentada pelo gabinete do magistrado e atualizar a composição societária do grupo”, diz o texto da Lupa.
Agências embasavam decisões da Meta
As checagens da Lupa integraram um programa chamado Third-Party Fact-Checking (checagem terceirizada, em tradução livre do inglês) da Meta, que controla as redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp, que foi iniciado no Brasil em 2018 e encerrado depois em janeiro de 2025 pelo próprio Mark Zuckerberg, que citou a perda de usuários como motivo da mudança.
Os checadores tinham poder de colocar etiquetas classificando os conteúdos, o que servia não só para alertar usuários, mas também para reduzir o alcance das postagens marcadas.
Críticos diziam que as checagens de agências como a Lupa levaram a penalidades consideradas injustas, como shadowban (a plataforma “esconde o perfil”) ou restrições ao espaço do perfil, especialmente no caso de personalidades da direita e durante as eleições de 2018 e de 2022.
Quando agências de checagem classificava um conteúdo como falso ou enganoso, a Meta podia aplicar penalidades automáticas, como reduzir alcance, impedir impulsionamento com anúncio pago ou restrições de lives e anunciantes por longos períodos (desmonetização).
As checagens de agências como a Lupa podiam, neste contexto, servir os motivos para retirar perfis do ar. A decisão que bania os perfis por violações de políticas pertencem à Meta ou são matéria de decisões judiciais. O uso de checagem terceirizada foi substituída por notas da comunidade, como no X.
A reportagem tentou contato com a agência Lupa através dos canais disponíveis no site da agência e aguarda retorno. O espaço segue aberto para suas considerações.



