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"Abuso funcional"

AGU extrapola suas atribuições ao notificar críticos de projetos sobre misoginia, diz Lexum

AGU extrapola suas atribuições ao notificar críticos de projetos sobre misoginia, diz Lexum
Entidade afirma que atuação da AGU contra críticas a projetos sobre misoginia configura “abuso funcional” e ameaça à liberdade de expressão. (Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil.)

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A Associação Lexum afirmou nesta sexta-feira (17) que a Advocacia-Geral da União (AGU) “extrapola” suas atribuições ao solicitar a remoção de conteúdos nas redes sociais com críticas ao projeto de lei que torna misoginia crime.

Mais cedo, a AGU, sob o comando de Jorge Messias, enviou ao X uma notificação extrajudicial pedindo a remoção ou a rotulagem de publicações feitas por ao menos dez perfis. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) aparece como parte interessada.

“Não lhe cabe, em nenhuma hipótese, oficiar plataformas privadas para promover a curadoria do discurso de cidadãos sobre matéria legislativa em tramitação”, disse a Lexum, em nota pública.

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Para a entidade, essa forma de atuação não está prevista nas atribuições constitucionais da AGU e converte um instrumento de defesa da União “em mecanismo de pressão administrativa sobre a esfera pública”, configurando “abuso funcional”.

A manifestação da Lexum destaca o caso da jornalista Madeleine Lacsko, colunista da Gazeta do Povo, um dos alvos das notificações. A AGU alegou a existência de uma "rede de desinformação" que estaria espalhando conteúdo falso sobre o PL 896/2023.

No caso da jornalista, ela esclareceu que as publicações usavam textos de propostas correlatas para ridicularizar o conjunto de iniciativas sobre misoginia em tramitação no Congresso.

“O episódio ultrapassa o plano do debate teórico e materializa um caso concreto de intervenção estatal no espaço público de circulação de ideias, a exigir cautela redobrada e fundamento jurídico adequado”, afirmou a Lexum.

A associação considera que, ao tentar impor uma "correção informacional" baseada em dados imprecisos, o Estado acaba por impor uma narrativa oficial equivocada sob a “roupagem de verificação”.

Lexum alerta para risco à liberdade de expressão

A nota enfatiza que a liberdade de expressão (art. 5º e 220 da CF) independe de concessão estatal e que o debate sobre leis em formação é uma expressão direta da soberania popular.

“A defesa da liberdade de expressão é plenamente compatível com o combate a ilícitos, desde que este se dê dentro das balizas constitucionais que legitimam o exercício do poder estatal”, diz o comunicado.

A entidade alerta que o uso de termos como "desinformação" para fundamentar pedidos de remoção desloca o debate jurídico para o campo da opinião, sujeitando a liberdade do cidadão a uma validação institucional.

Outro ponto destacado pela Lexum é o fato de essa ofensiva ocorrer no momento em que o titular da AGU, Jorge Messias, passa por processo de sabatina para ocupar a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A observação tem caráter estritamente institucional: a definição dos limites da liberdade de expressão não pode ser tensionada por práticas administrativas que escapam ao controle jurisdicional justamente no momento em que se discute a composição da Corte responsável por fixar esses limites em última instância”, apontou a associação.

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