Uma paciente que esperava havia dois anos por uma cirurgia de redução de estômago morreu nesta quarta-feira (24) em Brasília de parada cardíaca causada pela obesidade. Vânia Jacinto, de 41 anos, tinha 300 quilos e sofria de asma, problemas no coração e respiratórios por causa do excesso de peso.
A cirurgia foi indicada para Vânia pelos próprios médicos do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, apesar de estar na fila da cirurgia durante dois anos, o peso excessivo da paciente não permitiria que a cirurgia fosse realizada imediatamente, pois havia um alto risco cirúrgico.
Em entrevista ao programa "DFTV", da rede Globo, a irmã de Vânia, Maria Jacinto, explicou que os médicos queriam que ela passasse por dieta e tratamentos psicoterápicos antes de ser operada. A cirurgia ainda deveria demorar, mesmo sem os tratamentos anteriores.
Apenas o hospital universitário de Brasília (HUB) está credenciado pelo SUS no Distrito Federal para fazer a operação e a fila hoje já chega a 200 pessoas prontas para serem operadas, ou seja, que já passaram pelos tratamentos necessários. A fila total no DF alcança 650 pessoas.
Preparação
Antes de estarem aptos para a operação, os pacientes precisam passar por um período de dois anos de dietas, acompanhamento psicológico e exercícios físicos. Esse período pode ser encurtado caso haja risco de vida para o paciente e não haja risco cirúrgico.
Vânia, segundo a família, estava inscrita em todos os hospitais públicos de Brasília e já tinha feito uma peregrinação para tentar a operação. Mas, sem trabalhar por causa da doença, vivendo com a irmã Maria, assistente de educação, e o irmão Jeová Jacinto, pintor, a família não tinha condições de pagar uma operação particular.
Esse não é o primeiro caso de obeso que morreu antes de chegar sua vez na mesa de operação. No ano passado, Luciene Oliveira, de 30 anos, faleceu de insuficiência respiratória por conta do excesso de peso depois de esperar na fila do SUS por seis anos.
O governo federal oferece a cirurgia gratuita desde 2001, mas apenas em 2005 foi ampliado o atendimento. Ainda assim, hoje, apenas 53 hospitais do País estão autorizados a realizá-las.
No DF, onde Vânia morreu, o governo pretende autorizar o hospital regional da Asa Norte ainda este ano. A partir daí, cerca de 100 operações devem passar a ser feitas por ano. No País, em 2007, 2,7 mil cirurgias de redução do estômago foram realizadas.
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