Foram 360 dias de internamento a maior parte do tempo na UTI Neonatal até que Rita Vitória conseguisse receber alta. A menina, que nasceu com 720 gramas e 33 centímetros, estava no Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba desde o nascimento, no dia 19 de novembro do ano passado. Ontem ela saiu. "Fui um período muito longo e difícil, mas agora, olhando para trás, parece que até passou rápido, graças a todo o apoio que recebi", comentou a mãe, a agente de viagens Eliana Gosman de Paula, de 33 anos, ao deixar o hospital.
A solidariedade a que Eliana se refere partiu de médicos e enfermeiros do hospital e também de outras mães que também viveram a dura rotina de ter seus bebês, por meses, internados na UTI. Rita Vitória, porém, foi a campeã em permanência no hospital. Além da prematuridade extrema, ela teve complicações (três paradas cardíacas e uma traqueostomia) e ficou interada quase um ano.
Segundo a equipe médica, a criança até poderia ter recebido alta antes, mas como a mãe é de Rondônia e lá não havia alternativa de tratamento, optou-se por deixar a menina internada até que estivesse em condições de viajar e seguir vida normal. Ao deixar o hospital ontem, a bebê estava com quase seis quilos e 71 centímetros e distribuía sorrisos e beijinhos para todos.
A chegada de mãe e filha a Ji-Paraná está prevista para quinta-feira, quando elas embarcam no aeroporto Afonso Pena. "É uma emoção muito grande. Toda a família está aguardando ansiosa pela nossa chegada. Queremos comemorar o aniversário dela com um churrasco, mas nunca foi esquecer as pessoas que estou deixando aqui. Elas são minha segunda família", comenta a mãe.
Solidariedade
Eliana tem problemas de pressão alta e sofreu três abortos antes do nascimento de Ritinha, todos aos seis meses de gestação. Para evitar que o mesmo acontecesse, quando chegou aos seis meses, ela veio de Rondônia para Curitiba em busca de melhor atendimento médico-hospitalar. O parto ocorreu dois dias depois da chegada à cidade. Para acompanhar o desenvolvimento da filha, Eliana teve que contar com a solidariedade de pessoas na época estranhas.
No início, ela bancou uma hospedaria. Depois foi para a casa de conhecidos, mas que ficava distante, e, por fim, recebeu ajuda de uma médica do hospital, que custeou suas despesas em outra hospedaria por alguns meses, até que ela conseguisse encontrar outra solução. Assim como a médica, outros profissionais do hospital a ajudaram no que era possível. A ajuda durou até o fim: na semana passada, a equipe promoveu uma festa antecipada pelo aniversário de um ano de Ritinha e é uma enfermeira quem vai levar mãe e filha ao aeroporto na quinta-feira. "A luta da mãe para salvar a filha nos impressionou muito. Ela nunca desanimou. Sempre acreditou que sairia daqui com a Ritinha nos braços. Essa confiança ajudou no tratamento e cativou a todos", justifica a enfermeira Daniele Aggio Oyma, que integra a equipe que acompanhou o caso.
Retribuição
A mãe não deixou de retribuir à solidariedade recebida. Andreza Fabiano Christensen, 32 anos, fica emocionada ao lembrar dos momentos difíceis e do apoio recebido de Eliana no momento que o estado da filha, Maria Luiza, hoje com nove meses, piorou. "Ela viu eu e meu marido (Gustaff Schidt) chorando no corredor do hospital e veio falar conosco. Ela nos abraçou e contou a sua história, falando para a gente não perder a esperança. Isso foi muito importante para nós naquele momento". Dois meses depois, Maria Luiza deixou o hospital, mas a amizade com Eliana prosseguiu. "A gente sempre se fala, ela almoçou conosco no Dia das Mães, viemos aqui na festa de um ano da Ritinha e pretendemos manter o contato", acrescentou Gustaff.







