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CIC

Áreas de lazer viram pontos de vandalismo

Dois locais que eram para servir de lazer para a comunidade da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) viraram ameaça à segurança dos moradores. Abandonados pelo poder público e destruídos pelo vandalismo, um bosque e uma praça se tornaram pratos cheios para usuários de drogas e desocupados. A iluminação precária ainda deixa os moradores mais apreensivos. As duas áreas ficam entre colégios, conjuntos habitacionais e unidades de saúde.

O bosque é do tamanho de uma quarteirão e localizado ao lado do Colégio Estadual Teotônio Vilela, na Rua João Denbinski, esquina com a rua Robert Redzimski. A da área transformação em um espaço de lazer já se arrasta há quase dez anos. Tanto que brinquedos e barras de ginástica estão precariamente instalados.

Nas duas áreas, a construção de guaritas da Guarda Municipal não foi concluída. Assim, sequer chegaram a ser utilizadas.

Nas proximidades do bosque - o conjunto habitacional em frente reúne cerca de mil moradores e ao lado estão três escolas - poucos se arriscam a entrar. Mesmo morando ao local desde criança, a vendedora Valéria C. Rodrigues, 23 anos, levou anteontem o filho Gabriel, 6 anos, para brincar. "Nunca tinha vindo antes aqui porque é muito perigoso. Mas hoje está tranqüilo e decidi aproveitar porque é um espaço muito bom", diz.

Já o comerciante Luiz Carlos Pacheco, 37 anos, dono de uma lanchonete em frente ao bosque, lamenta que o local tenha se tornado ponto de usuários de drogas, prostituição e reclama da falta de policiamento. "É um descaso e uma vergonha para o nosso bairro. Qualquer coisa a ser feita aqui será melhor do que deixar do jeito que está."

Na opinião do diretor do Colégio Estadual Teotêonio Vilela, Darcy Claudino Jasper, o problema já foi pior. "Antes era tudo aberto e as grades muitos baixas. Muitos alunos pulavam para gasear aula." Hoje o bosque é cercado por palitos de cimento. Professor há 16 anos da escola, Jasper lembra que há dez anos a prefeitura promete revitalizar o local, que nunca chegou a ser concluído. "Havia até um projeto na gestão do Greca, que previa inclusive instalação de coretos. A última vez que a prefeitura mexeu aqui foi em 2004, quando colocaram as barras para ginástica e a guarita. Mas nunca ficou pronto."

Caminho perigoso

O abandono e o medo também imperam na Praça Gregório Piatkowski, a cerca de um quilômetro do bosque. Também conhecida como Parque Caiuá, faltam iluminação pública e manutenção na praça.

O local é aos fundos do Conjunto Habitacional Paquetá, onde vivem cerca de 450 pessoas. Nas proximidades existem duas creches, uam unidade de saúde e duas escolas, sendo caminho para muitos moradores voltarem para casa. Só no Centro de Educação Infantil Paquetá, que faz fundos para a praça, a maioria das 22 funcionárias utilizam o caminho. "Procuro nem carregar bolsa para não chamar atenção", afrima a educadora Ester Eulália Gomes, 53 anos. Segundo ela, o trajeto ficaria três vezes maior se optasse por um desvio.

À noite, são poucos os que se arriscam passar por ali em meio à escuridão. Das 16 luminárias existentes, apenas 5 possuem lâmpadas. A empregada doméstica Angelita Santana, 30 anos, e o encarregado de expedição Jaime Rodrigues, 41 anos, utilizam o caminho todos os dias, nos fins de tarde, quando pegam a filha Gabriele, 2 anos, na creche. "Eu tenho medo. A noite a gente não tem como passar por aqui. Além de escuro, só tem drogado", alega.

De acordo com o dedetizador Milton Nantes, 50 anos, não só a guarita, mas a praça como um todo nunca chegou a ser concluída. "A obrigação da prefeitura era terminar a obra e colocar guarda municipal aqui", indigna-se. O morador lembra que foi um dos que lutou para que o local se transformasse em área de lazer. "Aqui sempre foi ponto de encontro de vândalos e usuários de drogas."

Para a diretora do Centro de Educação Infantil Paquetá, Michele Carlos, 31 anos, o problema é que a própria comunidade não cuida do local. "É muito vandalismo. Até os bancos da praça já foram jogados dentro do rio. E isso reflete na própria creche. Só nesse mês tivemos 24 vidros quebrados. Se não tiver segurança, não adianta."

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