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Memória

Ato do Greenpeace no Rio lembra a tragédia do Césio 137 em GO

20 anos após o acidente radioativo em Goiânia, manifestantes protestam contra a construção de Angra 3 e a elaboração do plano de uso de energia nuclear no país. Contaminação de vítimas terá efeitos até a terceira geração

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Rio – Ativistas do Greenpeace realizaram ontem manifestação no Rio para lembrar os 20 anos da tragédia com o Césio 137, em Goiânia (GO). Os manifestantes fecharam com trancas e correntes os portões de entrada da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), do Ministério da Ciência e Tecnologia em Botafogo, zona sul da cidade, por quase duas horas. Policiais militares foram chamados para liberar a entrada e saída de funcionários.

Além de relembrar o acidente, os manifestantes também protestavam contra a construção de Angra 3 e contra a elaboração do plano de uso de energia nuclear no país.

Em frente da Cnen, os ativistas colocaram uma placa com as frases "Memória Césio 137: 60 mortos, 6 mil vítimas, 20 anos de descaso Brasil, o país da insegurança nuclear". Os ativistas se acorrentaram ao portão principal da comissão e às grades das duas garagens.

Airton Caubit, da Cnen, disse que o número exato de vítimas atingidas pelo césio-137 sempre provocou polêmica. "O número nunca bateu e, talvez, nunca vá bater. O que posso dizer é que quatro pessoas morreram em decorrência da contaminação. Esse é o número que sempre foi certo."

Cerca de uma hora depois do início do protesto, policiais militares do 2.º Batalhão de Polícia Militar chegaram ao local. Depois de várias tentativas frustradas de convencer os manifestantes a liberar os portões, os PMs cortaram as correntes e as trancas com alicates e serras. Em seguida, usaram gás de pimenta para retirar cinco ativistas que bloqueavam a saída de um carro, sentados em frente às garagens.

Odesson Júnior, de 32 anos, uma das vítimas da contaminação com o material radioativo, também participou da manifestação. Ele é sobrinho do homem que comprou a cápsula de Césio e teve contato direto com o material radioativo. Júnior, que tinha 12 anos ao ser contaminado, ficou 90 dias internado em tratamento e sem contato com a família. "As pessoas esqueceram do acidente. Eu me lembro disso todos os dias. Foi muito difícil. Eu era uma criança e após um longo período no hospital eu era rechaçado por todos nas ruas." Ele tem um filho de 15 anos que não tem mobilidade na mão esquerda. "A contaminação tem reflexo até a terceira geração. É muito grave", afirma.

Em nota à imprensa, a Cnen informou "compartilhar do mesmo sentimento de solidariedade manifestado por toda a sociedade em relação às vítimas do acidente" e que "apóia as ações de atendimento às vítimas do acidente". A Cnen afirmou também que faz "monitoramento periódico dos níveis de radioatividade", em Goiânia.

Em relação às críticas quanto à segurança do uso da energia nuclear, a Cnen informou que as normas de radioproteção estão de acordo com os padrões da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e que "a energia nuclear no Brasil não oferece riscos".

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