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Aniversário

Aventuras pelas águas do rio

Pedro, Maria e Adílson têm em comum o fato de terem conhecido as Cataratas do Iguaçu quando ainda eram crianças. Era mais ou menos como ter os saltos do Iguaçu no jardim de casa. "Para chegar lá, nós passávamos no meio do matagal. Era nossa atração de fim de semana. Íamos para fazer piquenique, pescar e até caçar. Não existia a consciência ecológica de hoje", conta Maria Theolina Guder Welter, 82 anos.

O pai dela havia comprado um terreno encostado do parque, onde não havia habitações. Mais tarde, os vínculos com o parque ficaram ainda maiores: o marido de dona Maria Theolina passou a trabalhar no local – foram 35 anos em que, diariamente, ela ia nas Cataratas para buscá-lo. "Fizemos muito churrasco, quando o parque ainda não tinha nem metade da estrutura atual", diz. Outra lembrança que faz dona Maria suspirar de alegria foi quando sua filha, Nilza Lurdes Welter, foi eleita miss do Parque Nacional, em 1967, em um concurso promovido pela própria comunidade. "As meninas precisavam vender seus votos aos meninos. Quem tivesse mais ganhava", conta.

Na Garganta do Diabo

Pedro Berg viu as Cataratas pela primeira vez quando era bem pequeno, por isso não lembra como foi sua reação. O pai dele trabalhava para o parque – foi um dos homens que ajudou a construir os primeiros caminhos de pedras. Ainda jovem, ele seguiu o exemplo do pai: conseguiu um emprego como servente de pedreiro e depois como motorista. A primeira passarela do parque, segundo Berg, foi feita com o mínimo de recursos, mas animou as poucas pessoas que freqüentavam o lugar.

No tempo livre, Berg conseguiu chegar a lugares que hoje são inacessíveis nas Cataratas: ao lado da Garganta do Diabo. "É assustador e ao mesmo tempo maravilhoso", conta. Para fazer o percurso, Berg e um amigo esperaram o rio baixar para conseguir atravessá-lo. Foram descalços, porque as pedras eram escorregadias. Chegaram muito perto e fotografaram o que mais tarde só poderia ser visto de helicóptero. "Foi uma aventura muito arriscada, Demoramos três horas para ir e voltar. Embrulhei a máquina fotográfica no jornal", lembra.

Percepção

Adílson Simão também trabalhou no parque, na área da administração, a partir de 1975. Antes disso, porém, ele costumava ir com os amigos para passear. "Era jogo de futebol ou as Cataratas. Gostava de ir no parque porque esquecia das coisas ruins da vida", comenta. Para Adilson, olhar as Cataratas a cada dia é ter uma percepção diferente da natureza. "Quando o volume de água é menor, você percebe que os saltos são divididos e, por isso, consegue ver a imensidão das pedras. Quando chove bastante, vira uma cascata só, mas que também é bonito de se ver." (PM)

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