
"Posso dizer-lhe que esta maravilha não deve continuar sendo de um particular". O pai da aviação, Alberto Santos Dumont, não ficaria indiferente a tanta beleza natural. Ele conheceu as Cataratas em abril de 1916 e, imediatamente, visitou o então presidente da província, Afonso Alves de Camargo, para solicitar que as terras do uruguaio Jesus Val fossem desapropriadas. Ele queria que todos pudessem ter acesso a uma das paisagens mais bonitas do mundo. E não errou na medida.
Dois meses depois, o parque é estatizado, segundo a história, graças ao pai da aviação. Dumont estava em Buenos Aires, na Argentina, quando decidiu visitar as Cataratas. Veio de barco a vapor até Porto Iguaçu, a convite de Frederico Engel, dono do primeiro hotel que existia nas proximidades ele levava os poucos turistas nas terras que ainda eram propriedade particular. Dumont ficou apenas dois dias, mas não deixou em nenhum momento de apreciar a imensidão das águas. Chegou a colocar em risco a própria vida, quando subiu em um tronco de madeira que estava solto próximo a um dos saltos. Conhecendo os perigos de ficar sobre um tronco molhado, próximo do precipício, Engel pediu desesperadamente para ele voltar. Dumont retrucou: "Não se preocupe, as alturas não me intimidam."
Dumont não foi a primeira e grande personalidade que passou pelas Cataratas do Iguaçu. Muito antes disso, em 1532, o explorador e navegador espanhol Álvar Nuñez Cabeza de Vaca chegou ao local por acaso, quando procurava um caminho que o levasse a Assunção, no Paraguai. Sua descoberta está relatada em um de seus diários de navegação. "O rio dá uns saltos por uns penhascos enormes e a água golpeia a terra com tanta força que de muito longe se ouve o ruído." Foi o primeiro registro sobre o assunto feito por um homem branco. Cabeza de Vaca partiu logo em seguida, porque estava fugindo de índios que o perseguiam.
Em 1876, o famoso engenheiro da linha de trem que ligou Curitiba a Paranaguá, André Rebouças, também esteve nas Cataratas. Antes ainda de Dumont, Rebouças já havia noticiado que a área era exuberante e que o local deveria ser transformado em parque. O pedido, contudo, só foi atendido quando Dumont pisou nas terras paranaenses. "Rebouças foi a primeira pessoa que mencionou a necessária proteção da área. Ele havia visitado os Estados Unidos, onde já existia o Yellowpark", explica o chefe do Parque Nacional do Iguaçu, Jorge Luiz Pegoraro.
O reconhecimento do local como uma área importante de preservação só ocorreu em 1939, quando o então presidente Getúlio Vargas decretou a nacionalização das Cataratas e, na época, das Sete Quedas. Foi o segundo parque nacionalizado: o primeiro foi o Itatiaia, no Rio de Janeiro, em 1937. "Dá para se entender que foi o primeiro parque do Brasil, se notarmos a cronologia histórica", diz Pegoraro. Antes da nacionalização, o lugar era conhecido como Saltos de Santa Maria nome de batismo dado por Cabeza de Vaca. Após a nacionalização, ele passou a se chamar Parque Nacional do Iguaçu (antes se escrevia Iguassu) e teve a área de preservação aumentada. Em 10 de janeiro do ano que vem, completará seus 70 anos.
Visitantes
Não há como se manter indiferente ao volume de água (1 milhão e 200 mil litros por segundo, em média) e aos 275 saltos naturais que existem nas Cataratas. Personalidades como o diretor de cinema Francis Ford Coppola, o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, o ator Anthonny Hopkins e a princesa Diana já visitaram o parque e não deixaram de registrar o momento com fotos. A ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Eleonor Roosevelt, admirada com o que viu, disse que seria covardia comparar as Cataratas com a Niagara Falls.
Quem tem propriedade em falar sobre as Cataratas de ontem e hoje, porque a conheceu desde a infância, diz que é impossível visitar o local e não sacar uma foto. O acervo de imagens antigas, que a administração do Parque Nacional conseguiu reunir para a comemoração dos 70 anos, não deixa mentir: ex-funcionários e moradores da região contribuíram com 2,5 mil fotos para a exposição que será aberta no ano que vem e pretende se tornar itinerante (Conheça a história de algumas dessas pessoas no texto adiante). Ainda em janeiro de 2009, o parque vai lançar um livro sobre as sete décadas de história de um dos pontos turísticos mais visitados do Brasil.






