
O Brasil comemora hoje 192 anos de sua independência. A emancipação do território brasileiro do então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves ocorreu em 7 de setembro de 1822, quando o príncipe regente do Brasil, dom Pedro de Alcântara de Bragança (ele se tornaria o imperador Dom Pedro I depois), bradou às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, "Independência ou morte!".
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Desde então, a data evoca sentimentos de orgulho e nacionalismo, sendo celebrada com solenidades cívicas e homenagens à soberania da nação. Além da bandeira verde-amarela, os hinos Nacional e da Independência são cantados a plenos pulmões. As canções embalam os ímpetos cívicos e nacionalistas dos brasileiros há muitos anos e suas histórias se misturam, claro, à história do país.
Professor de Letras na Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), Marcelo Franz destaca que ambos os hinos são grandiloquentes e triunfalistas. Dão uma dimensão épica aos feitos que narram. No caso do Hino Nacional, além da independência também é celebrada discretamente a República, proclamada alguns anos antes da oficialização do canto. Um aspecto que o difere dos hinos de outros países é o fato de exaltar as maravilhas naturais do Brasil, enquanto a maioria dos hinos enaltece o espírito guerreiro das nações.
Brava gente brasileira
Embora não tão popular quanto o Hino Nacional, o canto que comemora a independência do Brasil foi composto pelo próprio dom Pedro I. O professor de História do Brasil Colonial, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luiz Geraldo dos Santos, explica que o imperador tocava cravo e gostava de fazer as vezes de músico. No período que antecedeu e sucedeu a declaração de independência, o império recém-instaurado estava em situação debilitada, pois grande parte dos músicos da Corte retornaram a Portugal com dom João VI. Assim, dom Pedro I passou a compor músicas alusivas à independência.
A letra, de autoria de Evaristo da Costa, é romântica. "Esses traços são visíveis na exaltação passional dos vocativos, que mostram a bravura da gente do Brasil em contraposição à perfídia daqueles que nos dominavam. Essa polarização é tipicamente romântica", observa Franz.
O Hino da Independência também foi importante para a constituição da nossa identidade, uma vez que estabeleceu, em definitivo, o nosso gentílico "brasileiro". Na época, gerou polêmica. Segundo Santos, o jornalista Hipólito da Costa alegava que os nascidos no Brasil não poderiam ser brasileiros, uma vez que o termo se referia àqueles que viviam do pau-Brasil, ou seja, àqueles que trabalhavam com madeira. Para Hipólito, o mais adequado seria "brasiliense" a outra expressão, "brasiliano", também seria incorreta, pois se referia aos indígenas.
Durante alguns anos, o Hino da Independência foi adotado como hino nacional, mas quando d. Pedro I perdeu popularidade, a canção também foi desprestigiada, pois estava muito associada à imagem do imperador. Em 1831, foi substituída pela melodia atual do Hino Nacional, que também havia sido composta em 1822.
Hora Cívica é lição de patriotismo
Algumas escolas, como o Sagrado Coração de Jesus, promovem uma breve solenidade cívica todas as semanas, na qual o Hino Nacional é cantado por todos os alunos. É uma forma de cultivar o sentimento patriótico e o respeito pela nação. A professora Lucienne Martins explica que a compreensão do hino passa pelo aprendizado da História do Brasil. "É preciso contextualizar e associar o hino aos momentos históricos. Assim as crianças conseguem entender a revolta manifestada na letra, compreendem a dimensão continental do país, e compartilham do desejo de independência que a letra evoca."
"Se você não sabe a história do Brasil, não sabe o hino", diz Julia G. Cruz, 10 anos. Os colegas Gabriel Kokoty, 11, e Felippe D. Neto, 10, confirmam que as aulas de História e Geografia ajudam na compreensão da letra, mesmo que não facilite o seu cantar. "É difícil cantar todas as partes, com todos os s certos", diz Gabriel. Já Felippe admite que, às vezes, confunde estrofes, mas desdenha: "Pessoas mais velhas também erram de vez em quando."
A despeito da dificuldade imposta pela letra parnasiana, quando questionados sobre qual sentimento o Hino Nacional evoca, a resposta vem em uníssono: orgulho. "Sinto muito orgulho por tudo que o Brasil conquistou, por tudo que lutou pela independência, depois pela ditadura. E a luta continua, ano passado nos protestos, por exemplo", analisa Gabriel. Já Felippe valoriza o relato de nossa independência. "O hino representa nossa história. Depois de mais de 300 anos como colônia, ficamos independentes. É muito importante".













