Publicidade
Déficit escolar

Brasil tem 37% dos cidadãos acima de 15 anos atrasados na educação básica, mostra estudo

Sala de aula vazia da Escola Estadual Terezine Arantes Ferraz Bibliotecaria, no Parque Casa de Pedra, zona norte de SP. (Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil)

Ouça este conteúdo

Um contingente de 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluiu a educação básica. Isso representa 37,3% de toda a população nesta faixa etária, segundo um estudo divulgado em Brasília nesta terça-feira (7).

Este conjunto está dividido entre 19 milhões que não têm nenhuma instrução ou cursaram apenas os primeiros quatro anos; 25,6 milhões que têm o fundamental incompleto e 19,3  milhões, que fizeram o fundamental mas não o ensino médio.

O grupo é de um número superior à população de países como a África do Sul. Os dados constam no recém-lançado estudo “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas”, produzido pela iniciativa Rede EJA (Educação de Jovens e Adultos) e Inclusão Produtiva.

Embora o contingente permaneça elevado, o estudo aponta que a procura pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem diminuído, mas esta aparente redução na demanda histórica por essa modalidade não refletiria o sucesso das redes EJA em educar novos alunos, mas a exclusão de gerações mais velhas sem que o problema seja solucionado.

De acordo com o levantamento, a redução de 51% da demanda por EJA, que é percebida desde 2012, teria explicação pelo envelhecimento e falecimento da população – as gerações mais velhas e com menor nível de instrução morrem sem que seja garantido seu direito à alfabetização e à conclusão escolar.

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) responde por apenas 8% da diminuição, atendendo a somente 1,5% de sua demanda potencial, mostra a pesquisa.

Retrato da desigualdade

A exclusão educacional no Brasil se concentra especialmente em regiões mais pobres, como o Norte e Nordeste, onde a taxa de adultos sem diploma da educação básica frequentemente supera a marca de 50%. Na Bahia, esta marca supera historicamente um milhão de pessoas.

No entanto, o fenômeno também mostra força no interior do Sudeste e do Centro-Oeste.

Prejuízo também na economia

Além do impacto social e humano, a baixa escolaridade cobra um preço altíssimo do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

O relatório realizou uma microssimulação com dados da PNAD Contínua (IBGE), projetando o impacto caso metade dessa população (cerca de 32,5 milhões de pessoas) concluísse o ciclo básico.

O resultado aponta um prejuízo anual acumulado de R$ 66 bilhões em renda no mercado de trabalho devido à baixa qualificação.

Atualmente, a taxa de pobreza entre os brasileiros que não completaram o ciclo escolar básico é 1,8 vez maior em comparação à daqueles que se formaram, e o rendimento domiciliar per capita desse grupo equivale a apenas 51,4% do ganho dos demais cidadãos.

O relatório técnico contou com o apoio de entidades como a Fundação Roberto Marinho, Fundação Itaú, Fundação Bradesco, Fundação Arymax e com a cooperação internacional da UNESCO.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.