![Após o ensinamento do mulá e vendo que a mesquita estava lotada, levantei-me, empunhando meu ícone de Nossa Senhora Virgem Maria Rainha da Paz, e disse, para fazer-me ouvido por todos, em urdu [idioma local] Issa [palavra que designa Cristão]. | Divulgação](https://media.gazetadopovo.com.br/2011/05/64d1238878281208abf9b8fb6fef8a19-full.jpg)
O paranaense Rodrigo Moreto Cubek voltou a Curitiba, onde reside, após ficar preso em Islamabad, capital do Paquistão, por gritar palavras sobre a Virgem Maria na mesquita do Shá Faisal, a maior do país. Por e-mail, Cubek explicou à reportagem o que ocorreu e admitiu ter realmente gritado na língua local a palavra "cristão" após os ensinamentos do líder religioso local.
Religioso, ele contou que Jesus Cristo lhe pediu que fosse às mesquitas para mostrar a imagem da Virgem Maria. Preso no dia 13 deste mês, ele ficou sete dias detido e gastou cerca de US$ 6 mil com tradutor, alimentação e fiança. Cubek chegou na segunda-feira ao Brasil, depois de pagar a fiança de pouco mais de US$ 1 mil, e ser retirada a acusação de ter perturbado um local público. O advogado refuta a afirmação de que tem problemas psiquiátricos. O que queria, diz ele, era "levar paz ao Paquistão".
O que exatamente ocorreu e onde ocorreu?
Em 13 de maio (Festa de Nossa Senhora de Fátima), fui detido na Mesquita do Shá Faisal, em Islamabad, que é a maior mesquita do Paquistão e a quarta maior do mundo. Ao contrário do que os jornais paquistaneses divulgaram, eu não invadi a Mesquita. No Paquistão, em função dos diversos ataques terroristas, eles são obcecados por segurança. Como todos os presentes, passei por um detector de metais e a minha entrada foi permitida. Em todas as Mesquitas que visitei, quando perguntaram sobre a minha religião, falei que sou cristão. Cheguei cedo para guardar um bom lugar no fundo, pois sabia que a Mesquita iria lotar. Após o ensinamento do mulá (sacerdote islâmico) e vendo que a mesquita estava lotada, levantei-me, empunhando meu ícone de Nossa Senhora Virgem Maria Rainha da Paz, e disse, para fazer-me ouvido por todos, em urdu (idioma local) "Issa" (que é a palavra que designa "Cristão") e em inglês "Esta é a Virgem Maria, Mãe de Deus e Rainha da Paz." Não tive o propósito de ofendê-los, mas apenas de dar-lhes a oportunidade de conhecer a Virgem Maria, que, em Suas Aparições em Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina, promete conceder a paz a todos os homens que a invocarem sob o título de Rainha da Paz. Eu queria levar a paz ao Paquistão.
Você estava ilegal no Paquistão?
A Embaixada Brasileira poderá confirmar que não é verdade. Meu visto foi emitido em 11 de fevereiro de 2011 e minha viagem podia ser realizada até 10 de maio. De acordo com o visto, a partir do momento em que eu chegasse ao Paquistão, poderia permanecer por três meses. Eu ingressei legalmente pelo Aeroporto Internacional Benazir Butto de Islamabad em 11 de abril, dentro do prazo estipulado. Poderia ficar no país até 11 de julho. A confusão decorreu da própria formulação do visto paquistanês, que possui o campo "Good for journey upto", que determina o prazo para a realização da viagem. As autoridades paquistanesas entenderam, em um primeiro momento, que esse campo indicaria o limite para permanência no país, mas logo compreenderam que seria o prazo para realização da viagem.
Como foi o tratamento na prisão?
Ao contrário de todos os outros prisioneiros, não fui agredido fisicamente pelas autoridades policiais. Vi outro cristão, detido por um pequeno delito, ser açoitado. Sobre os cobertores imundos em que nos deitávamos juntos, e em meios às pulgas e aos mosquitos do fétido presídio gigantesco de Rawalpindi, aqueles homens condenados, não raro por delitos como homicídio e tráfico de drogas, empenhavam-se em mostrar-me tudo o que tinham de melhor. Segui o conselho de São Francisco de Assis, que ensina que não devemos odiar o pecador, mas só o pecado.
Você tem algum tipo de problema psiquiátrico, ou faz algum tratamento?
Não, não tenho nenhum tipo de problema psiquiátrico, nem faço tratamento dessa ordem. Trabalho em uma empresa, em que, para ser admitido, tive que fazer exame psicotécnico (com a participação de psiquiatra e psicólogos), como todos os demais funcionários, tendo que me submeter anualmente a exames médicos laborais, sendo que os resultados sempre indicaram normalidade.







