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Orçamento

Brasileiro gasta 7,9% da receita familiar em cultura

Rio – A cultura tem destaque nos gastos da família brasileira e chega a superar as despesas com itens como educação e higiene pessoal. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que uma família gasta, em média, 7,9% de seu orçamento com cultura, item que figura no quarto lugar na lista do consumo familiar. A atividade ocupa 4% da mão-de-obra ativa do país, ou 1,43 milhão de pessoas, e representa 5,2% das empresas formais.

Somando os segmentos de indústria, comércio e serviços, a atividade cultural gerou receita líquida de R$ 156 bilhões em 2003, ou 7,9% da receita líquida total desses setores naquele ano. As conclusões estão no Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC). Como é uma pesquisa pioneira, ainda é preciso definir o que é atividade ou consumo cultural. A telefonia (celular, fixa e internet), por exemplo, foi incluída, o que levou a cultura à quarta colocação do consumo. Sem ela, o item cai para o sexto lugar no orçamento familiar.

Os gastos familiares mensais com cultura, incluindo a telefonia, é de R$ 115,50. Sem ela, o total de despesas culturais cai para R$ 64,53, ou 4,4% do orçamento familiar. O destino do orçamento para a cultura varia de acordo com a renda mensal.

As famílias de renda menor empregam um terço (32,6%) do que gastam com cultura na compra de eletrodomésticos voltados para o consumo cultural (rádio, televisão, computador, etc). As famílias com rendimento maior, acima de R$ 3 mil, usam apenas 11,7% dos gastos com cultura na compra destes equipamentos. O estudo aponta que, quanto maior a escolaridade do chefe da família, maior o gasto com cultura. As famílias cujo chefe não tem instrução gastam, em média, R$ 33,67 por mês com cultura, enquanto as famílias chefiadas por quem tem curso superior gastam, em média, R$ 391 por mês neste item.

O que não muda é a curva ascendente do gasto com cultura, que acompanha a renda familiar. As famílias que têm rendimentos mensais até R$ 400 gastam em torno de 2,59%. As com rendimentos acima de R$ 3 mil, gastam o dobro: 5,45% do orçamento.

O levantamento foi feito a pedido do ministro da Cultura, Gilberto Gil, para avaliar o peso da atividade cultural no Produto Interno Bruto (PIB) do país. Para Gil, delimitar a economia da cultura permite qualificar a atividade e aumentar sua importância no orçamento nacional. Atualmente, sua pasta fica com 0,6% do total. "Se o repertório cultural se amplia, a capacidade e necessidade de ação também cresce e será necessário ter mais dinheiro", afirmou o ministro.

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