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Rio de Janeiro

Caiçaras da Praia do Sono reivindicam escolas e saneamento básico

Há três anos sem estudar, Sabrina Conceição Albino, 11 anos, diz que não tem perspectivas de vida. Filha de uma dona de casa e de um jardineiro, primogênita de uma família de cinco filhos, a menina vive na Praia do Sono, uma comunidade caiçara isolada, em Paraty, litoral sul fluminense, que só tem ensino de 1º a 4º série do ensino fundamental.

Sem condições de se manter na cidade, e preferindo o convívio com a família, a única alternativa para ela voltar a estudar seria o transporte marítimo até as escolas de Paraty. Alegando falta de dinheiro, segundo os moradores, a prefeitura não cede barcos e crianças e adolescentes da comunidade passam o dia na praia ou ajudando os pais em casa.

A falta de escolas não é o único problema. A comunidade também não tem saneamento básico (algumas casas contam com fossas) e coleta de lixo (os moradores queimam ou acumulamaté poder pagar para levá-lo para outro local), o que favorece a proliferação de doenças. Também não dispõe de posto de saúde e de luz elétrica. É como se a gente não existisse para as autoridades, desabafa o representante da associação de moradores, Jadson dos Santos.

Pressionados a abandonar suas casas em busca de melhores condições de vida, alguns moradores resistem há anos, como o ex-pescador Nilo José Albino, 88 anos. Para ele, além da infraestrutura, melhoraria bastante a construção de um acesso por terra, ligando a comunidade a Paraty. A única trilha de acesso ao local só pode ser feita a pé, em uma caminhada de duas horas.

Aqui só é bom pelo sossego. Mas nós, velhos, não temos mais como andar até nove horas para chegar a Paraty, como eu andei, ou pegar seis horas de remo. Minhas costas não aguentam mais. Podia ter um ônibus, diz Albino.

A líder comunitária Leila da Conceição cobra a intensificação da fiscalização pelos órgãos ambientais, já que a praia está dentro da Área de Preservação Ambiental (APA) do Cairuçu, onde cresce a instalação de empreendimentos imobiliários sobre mangues, por exemplo, afetando as principais atividades econômicas e de subsistência como a pesca.

A gente não tem luz nem para ligar uma geladeira, um chuveiro, um frezer para guardar nosso peixe. As pessoas que têm acesso a isso dragam nosso mar, desmatam para instalação de áreas de lazer e destroem, com todo impacto para a natureza, a nossa forma de existência, afirma Leila, referindo-se aos grandes condomínios e mansões.

A Agência Brasil tentou contato insistentemente com a prefeitura de Paraty para falar sobre as queixas da comunidade. No entanto, nenhuma autoridade do município concedeu entrevistas.

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