
O calor antecipado trouxe consigo o cenário de primavera. A estação, que começa oficialmente às 12h44 do dia 22 de setembro, parece já ter chegado com a floração de alguma espécies, entre elas o tradicional ipê-amarelo, tão característico da paisagem urbana de Curitiba. Com o inverno menos rigoroso, estão cada vez mais comuns as mudanças na vegetação e na fauna, o que pode chegar a ser irreversível para algumas espécies e até causar extinção.
De acordo com o biólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Luiz Antônio Acra, a mudança na temperatura fora de época influenciou na floração de plantas é árvores. "A caliandra que tem flor semelhante a um pompom floresceu cerca de dois meses antes, assim como os ipês-roxos e amarelos que tiveram antecipação de um mês no seu ciclo", explica.
Essa antecipação não é exclusividade deste ano, pois já vem acontecendo há algum tempo. Segundo o professor, o ipê-amarelo já passou por duas florações neste ano. "Uma aconteceu no fim de julho, quando o normal seria em setembro", diz Acra. Algumas plantas podem ter seu período de floração atrasado por causa do clima, como é o caso do ipê-branco comum no litoral que atrasou um mês.
A modificação na vegetação afeta algumas espécies de animais, como os insetos polinizadores que têm seu ciclo modificado para se adequar às plantas. "Fauna e flora tentam se adequar aos ciclos de temperatura, assim como a vegetação também modifica o clima. É um ciclo que foi modificado pelo homem, e dificilmente pode ser recuperado", comenta o biólogo.



