
Os candidatos a prefeito de Porecatu Walter Tenan (PMDB) e de Ivaiporã Pedro Papin (PSDB) acusam a polícia civil de perseguição política por realizar operações de prisão e apreensão de bens durante a campanha eleitoral. Tenan está preso há 20 dias e Papin teve os ônibus da sua empresa apreendidos pela polícia. Ambos garantem que foram alvos das operações porque estariam bem colocados nas pesquisas de intenção de voto.
O candidato a prefeito Walter Tenan, 52 anos, foi preso no último dia 4 por policiais civis, que cumpriram mandados de busca e apreensão em lojas da sua empresa nas cidades de Centenário do Sul, Florestópolis, Porecatu e Lupianópolis.
Segundo a polícia, foram apreendidos nas lojas do candidato eletrodomésticos, eletrônicos e brinquedos que seriam contrabandeados do Paraguai e provenientes de cargas roubadas. Tenan está sendo acusado de estelionato e formação de quadrilha.
O advogado do candidato, Manoel Amaral, diz que as acusações são levianas e infundadas. O empresário, segundo ele, seria um dos clientes da Top Distribuidora, onde teve início a investigação da polícia há 4 meses. "Tenan apenas comprava mercadorias da Top, mas de forma lícita. Forças ocultas políticas estão por trás disso para que ele não seja eleito", disse Amaral.
O advogado tentou um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná, mas o pedido foi indeferido e o candidato continua detido.
O presidente do PMDB de Porecatu, Luiz Moreti, diz não ter dúvida de que haja motivação política no caso. Embora faça parte do mesmo partido do governador Roberto Requião, Moreti disse que a candidatura de Tenan nunca foi aceita pela cúpula do PMDB. "Fizeram de tudo para tirar o Tenan da jogada, recebi muita pressão da Executiva Estadual e ameaçaram até me destituir da presidência se insistisse na candidatura dele", contou.
O grupo do governador, segundo Moreti, sempre foi contra a candidatura do empresário e defendeu o apoio do partido à reeleição do prefeito Dario Lunardelli (PSL) e a indicação do vice na chapa.
O PMDB de Porecatu ainda não sabe o que fazer. Em reunião nesta semana o partido pretende decidir se lança outro nome ou desiste da disputa.
Apreensão de ônibus
Em Ivaiporã, uma ação da polícia civil também gerou protestos do candidato a prefeito Pedro Papin (PSDB). A partir de uma denúncia anônima de que o ex-prefeito estaria usando ônibus clonados na sua empresa privada de transporte, integrantes do grupo especial da polícia civil cercaram a residência e a empresa do candidato, no último dia 8 de agosto.
Quatro dos cinco ônibus da empresa foram apreendidos um ficou de fora porque estava no conserto. "Chegaram assombrando a cidade. Colocaram 12 policias com metralhadora na mão apontando para a minha mulher e na minha casa tinha mais policiais no quintal vistoriando tudo. "Não tenho dúvida nenhuma que tudo foi armação política. Eles montaram do jeito deles", disse o candidato.
O advogado da coligação de Pedro Papin, Marcelo Cesar Pereira Filho, disse que depois de 30 dias da operação, a polícia científica de Londrina, no norte do estado, comprovou através de perícia técnica, que não havia irregularidades nos ônibus da empresa. A promotora que concedeu o mandado de busca e apreensão, Luciana Esteves, não foi localizada ontem na promotoria de Ivaiporã para comentar o caso.
O principal adversário de Pedro Papin em Ivaiporã é o vice-prefeito José Narciso de Melo, conhecido como Zé Balão (PMDB). Ele tem o apoio do prefeito Célio Pereira, que também é do PMDB. Ambos têm ligações próximas com o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB). Disputam ainda a prefeitura Professor Ciro (PT) e Dr. Neto (PRB).
Pedro Papin (PSDB) tem como candidato a vice-prefeito seu próprio filho Alex Papin (DEM), numa coligação formada também pelo PPS e PDT.



