genebra, suíça - O número de casos da gripe suína dispara no Japão e coloca a Organização Mundial da Saúde (OMS) em alerta para uma eventual declaração de pandemia. Hoje, o Brasil usará a abertura da Assembleia Mundial da Saúde em Genebra para apelar para que a OMS intervenha, garanta o acesso a remédios a todos os países e estabeleça um novo acordo para a transferência de informações e tecnologias relacionadas a pandemias. No fim de semana, o governo norte-americano rejeitou um acordo. A OMS não escondeu que voltou a ficar preocupada com o aumento no número de casos fora da América do Norte. Para que uma pandemia seja declarada, a entidade precisa ver surtos fora das Américas. Hoje, a OMS está em um nível de alerta pré-pandêmico, mas ainda admite que a pandemia é "iminente".
A preocupação é de que o Japão e a Europa sejam os principais candidatos a desenvolver surtos autóctones. O Japão confirmou ontem um total de 93 casos de gripe suína no país, segundo a agência de notícias Kyodo. Dos infectados pelo vírus A(H1N1), 72 são alunos e professores das províncias de Osaka e Hyogo. O número de casos da doença no Japão está se multiplicando rapidamente e teme-se que outras centenas de pessoas tenham sido infectadas. Tóquio confirmou que não se trata apenas de casos de pessoas que retornavam do México ou dos Estados Unidos, mas de pessoas que sequer tinham saído do país.
Mas nem o aumento no número de casos abriu a porta para um entendimento político entre governos. No centro de um embate diplomático está o controle de vírus e vacinas. O governo norte-americano se recusou a assinar um acordo que garante acesso a tecnologias e amostras de vírus por todos os países. A rejeição americana está relacionada com o fato de que países emergentes pressionam para garantir um compromisso legal de que todos os governos deem acesso às tecnologias para a produção de vacinas e de remédios.
O presidente mexicano, Felipe Calderón, declarou que a vacina deve ser desenvolvida dentro da rede de laboratórios da OMS para garantir que não sejam patenteados e nem que os preços cobrados fiquem fora dos orçamentos dos governos mais pobres. Para o México, a vacina precisa ser um "bem público global". No centro do debate está, na realidade, a capacidade de países emergentes de produzir suas próprias defesas. Entidades como a Oxfam alertaram para o risco de uma falta de vacinas aos países mais pobres. O grupo alerta que metade da capacidade de produção de vacinas no mundo já estaria negociada para que seja utilizada para abastecer Europa e Estados Unidos com a vacina.
No Brasil
O Ministério da Saúde informou ontem que o número de pessoas com suspeita de ter contraído a gripe suína caiu para 22. No sábado, esse número era de 25. Os casos suspeitos estão nos estados de Minas Gerais (7), São Paulo (6), Distrito Federal (2), Alagoas (1), Amapá (1), Paraná (1), Pernambuco (1), Piauí (1), Rio de Janeiro (1) e Rondônia (1). O ministério também monitora outros 18 pacientes em sete estados e já foram descartados 264 casos. Os números referem-se a informações repassadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde até as 9h30 de ontem.
Os casos confirmados da doença ainda são oito, nos estados do Rio de Janeiro (3), São Paulo (2), Minas Gerais (1), Rio Grande do Sul (1) e Santa Catarina (1). Para todos os casos, estão sendo realizados busca ativa e monitoramento de todas as pessoas que estabeleceram contato próximo com esses pacientes.
No sábado, não houve novos casos descartados por exames laboratoriais com resultado negativo. Os testes estão sendo realizados nos três laboratórios de referência do Ministério da Saúde: Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro; do Instituto Adolf Lutz, em São Paulo; e do Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA).






