
Uma emenda ao projeto de lei que trata da Política Nacional de Controle de Natalidade de Animais de Rua abriu a possibilidade de que cães e gatos de rua sejam submetidos à esterilização química como forma de controle populacional. A modificação foi proposta pelo Senado ao aprovar o plano em tramitação no Congresso desde 2005.
O projeto original do deputado federal paranaense Affonso Camargo (PSDB) estabelecia apenas a castração cirúrgica, vetando qualquer outro procedimento veterinário. Por conta da modificação, que retirou o termo "cirúrgico" do texto, a proposta deve voltar à Câmara dos Deputados para ser novamente avaliada.
Feita por meio da aplicação de injeções de gluconato de zinco nos testículos dos animais, a castração química em cães não é unanimidade na comunidade veterinária e entre as organizações de defesa animal. "Ainda precisamos que muitas perguntas sejam respondidas", afirma a médica veterinária Emanoele Bittencourt Gerceski, da Clínica Vetsan. Segunda ela, as pesquisas são novas e muitas informações não foram divulgadas. "Não sabemos se o procedimento causa dor no animal, se apresenta risco de infecção ou se o medicamento causa câncer, por exemplo", comenta.
Sem dor
De acordo com o médico veterinário Ricardo Lucas, sócio-diretor da Rhobifarma, laboratório responsável pelo Infertile, primeiro medicamento do país que castra quimicamente cães machos, existem estudos internacionais que comprovam que o esterilizante químico à base de zinco não traz sofrimento ou anomalias aos animais. Ele acrescenta que uma pesquisa da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que o desconforto após o procedimento é menor na castração química do que no pós-operatório da castração cirúrgica.
Fora isso o sócio-diretor da Rhobifarma ainda afirma que a esterilização química custa cerca de 70% menos do que a convencional e pode ser feita em ambiente ambulatorial. Em Curitiba, uma castração cirúrgica de machos pode variar de R$ 210 a R$ 350, conforme o porte do animal e sem gastos adicionais.
"Independente do nosso medicamento, a modificação da proposta sem restrição à forma de esterilização é uma boa notícia porque deixa aberta a possibilidade de aplicação de novas tecnologias que permitirão a realização de mais procedimentos com menos recursos", comenta Lucas.







