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Controle de reprodução

Castração química de cães volta à Câmara

Projeto no Congresso visa controlar a reprodução desenfreada de cachorros de rua | Antonio Costa / Gazeta do Povo
Projeto no Congresso visa controlar a reprodução desenfreada de cachorros de rua (Foto: Antonio Costa / Gazeta do Povo)

Uma emenda ao projeto de lei que trata da Política Nacional de Controle de Natalidade de Animais de Rua abriu a possibilidade de que cães e gatos de rua sejam submetidos à esterilização química como forma de controle populacional. A modificação foi proposta pelo Senado ao aprovar o plano em tramitação no Con­gresso desde 2005.

O projeto original – do deputado federal paranaense Affonso Camargo (PSDB) – estabelecia apenas a castração cirúrgica, vetando qualquer outro procedimento veterinário. Por conta da modificação, que retirou o termo "cirúrgico" do texto, a proposta deve voltar à Câmara dos Deputados para ser novamente avaliada.

Feita por meio da aplicação de injeções de gluconato de zinco nos testículos dos animais, a castração química em cães não é unanimidade na comunidade veterinária e entre as organizações de defesa animal. "Ainda precisamos que muitas perguntas sejam respondidas", afirma a médica veterinária Emanoele Bittencourt Gerceski, da Clínica Vetsan. Segunda ela, as pesquisas são novas e muitas informações não foram divulgadas. "Não sabemos se o procedimento causa dor no animal, se apresenta risco de infecção ou se o medicamento causa câncer, por exemplo", comenta.

Sem dor

De acordo com o médico veterinário Ricardo Lucas, sócio-diretor da Rhobifarma, laboratório responsável pelo Infertile, primeiro medicamento do país que castra quimicamente cães machos, existem estudos internacionais que comprovam que o esterilizante químico à base de zinco não traz sofrimento ou anomalias aos animais. Ele acrescenta que uma pesquisa da Faculdade de Medicina Vete­rinária e Zootecnia da Uni­versidade Esta­dual Paulista (Unesp) mostrou que o desconforto após o procedimento é menor na castração química do que no pós-operatório da castração cirúrgica.

Fora isso o sócio-diretor da Rhobifarma ainda afirma que a esterilização química custa cerca de 70% menos do que a convencional e pode ser feita em ambiente ambulatorial. Em Curitiba, uma castração cirúrgica de machos pode variar de R$ 210 a R$ 350, conforme o porte do animal e sem gastos adicionais.

"Independente do nosso medicamento, a modificação da proposta sem restrição à forma de esterilização é uma boa notícia porque deixa aberta a possibilidade de aplicação de novas tecnologias que permitirão a realização de mais procedimentos com menos recursos", comenta Lucas.

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