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Clima

Chuva causa mortes e alaga cidades no Rio

Deslizamento de terra matou três membros de uma mesma família. Estado será incluído em repasse de verba emergencial

Em Belford Roxo, uma mulher cega precisou ser resgatada com a ajuda de um trator | Rafael Andrade/Folha Imagem
Em Belford Roxo, uma mulher cega precisou ser resgatada com a ajuda de um trator (Foto: Rafael Andrade/Folha Imagem)

Rio de Janeiro - As chuvas que vêm atingindo a Baixada Fluminense e outras re­giões do estado do Rio de Janeiro desde quarta-feira provocaram a morte de três pessoas após um deslizamento de terra que atingiu uma casa na região de Tinguá, na cidade de Nova Iguaçu. Ontem, o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima – que visitaram a região atingida – acertaram a inclusão do Rio em uma medida provisória que vai liberar R$ 400 milhões para socorrer vítimas, combater e prevenir efeitos de fortes chuvas no Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná.

A casa de quatro cômodos da dona de casa Ângela Maria da Silva, 40 anos, e do caseiro José Severiano de Frias, 48 anos, no bairro de Tinguá, foi atingida por volta das 22 horas de quarta. Ele e dois filhos, de 15 e 22 anos, dormiam na hora do acidente e morreram soterrados. A dona de casa e um terceiro filho, Jhonatan José da Silva Frias, 19 anos, ficaram feridos e foram levados para um hospital.

Casado com a sobrinha de Ângela, o motorista de ônibus Alex César Rodrigues, 35 anos, contou que a dona de casa trabalhava na cozinha quando ouviu um barulho muito alto. "Em questões de segundos, ela foi parar no quintal. O Jhonatan, que estava tomando banho, caiu no meio da rua", disse. "A família está destruída", acrescentou.

Em outros pontos alagados, cenas de desespero se repetiam. Para evitar o contato com a água suja, moradores tentavam se equilibrar sobre qualquer objeto que flutuasse. Geladeiras, banheiras e pedaços de madeira serviam de abrigo até a chegada de socorro. Até a pá de um trator foi usada pelos bombeiros para resgatar uma mulher cega em Belford Roxo.

Na periferia da cidade, cerca de 20 pessoas de uma mesma família ficaram isoladas na laje de uma casa do bairro Parque Amorim. Com o térreo coberto por cerca de 1,5 m de água, Jéssica Delfino, 22 anos, teve de subir para o refúgio com as duas filhas, uma de seis dias de idade. Sem coberturas laterais, porém, o local não protegeu a família da chuva que durou boa parte da madrugada. "Está todo mundo sem dormir aqui, a neném com a roupa molhada e eu sem ter como dar banho e trocar a roupa dela", disse.

Segundo a Defesa Civil estadual, o transbordamento de rios e córregos também tirou pelo menos 453 pessoas de casa em outras cidades da Baixada e nos municípios de Natividade, no noroeste do estado, e Tanguá, na região metropolitana, que tem 30 mil habitantes. A cidade está submersa. A prefeitura providenciou dois abrigos de emergência para receber os desalojados.

Prejuízos

Com os prejuízos de ontem, o estado do Rio calcula que irá necessitar de mais R$ 13 milhões para recuperação dos municípios afetados. "A situação é muito complicada. É cinco vezes pior do que as chuvas de janeiro", afirmou o prefeito de Tanguá, Carlos Roberto Pereira (PP).

Para acompanhar de perto a situação na Baixada Flu­­minense e na região metropolitana, o ministro Geddel e o governador Sérgio Cabral fizeram um voo de helicóptero pelas áreas alagadas em Tanguá, Belford Roxo e Duque de Caxias, onde foi anunciada a instalação de um hospital de campanha.

Segundo o governador, a situação não é pior porque o governo faz obras nos rios da região. A Secretaria de Estado do Ambiente informa que retirou dos rios da baixada 1 milhão de metros cúbicos de lixo e removeu cerca de 750 famílias de áreas de risco para evitar risco de desabamentos. No entanto, a previsão é de que as obras sejam concluídas apenas em outubro de 2010.

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