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Religião

CNBB diz que gays não podem ser padres

Brasília - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou ontem um documento de orientação em que reforça a recomendação para que seja evitada a ordenação de ho­­mossexuais. O texto foi dividido em três partes – a primeira trata da formação de novos padres. O texto diz que a Igreja deve se ater ao documento de 2005, aprovado pela Santa Sé, chamado Ins­trução sobre os critérios de discernimento vocacional acerca de pessoas com tendências homossexuais e da sua admissão ao seminário e às ordens sacras.

O documento define que, "embora respeitando profundamente as pessoas em questão, [a Igreja] não pode admitir ao seminário e às ordens sacras aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay’’.

O arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB, disse que homossexuais devem ser impedidos de ser padres por não se sentirem capazes de assumir o celibato e a castidade, não por causa da homossexualidade. "Não é uma discriminação, é um direito da Igreja, que pode escolher aqueles a quem vai conferir o sacramento da Ordem ou sacerdócio", afirmou. A declaração foi feita ao interpretar trecho do pronunciamento que encerrou ontem, em Brasília, a 48.ª Assembleia Geral da CNBB.

Os bispos pretendem selecionar candidatos ao seminário por meio de "acompanhamento que permita a admissão de pessoas com indisfarçável saúde física e mental, somada aos atributos de equilíbrio moral, psicológico e espiritual". As dioceses buscarão pessoas especializadas em ciências humanas para assessorar a equipe de formadores.

Cartilha

A CNBB criará uma cartilha para orientar bispos em casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes em suas dioceses. Além da parte teórica, com informações sobre a legislação civil e canônica, o material terá instruções práticas como o afastamento imediato de padres que cometam o crime. O documento ainda não tem prazo para ser finalizado.

Em documento, a CNBB reconhece o "mal irreparável cau­­sado às vítimas, pede perdão e oferece apoio espiritual e psi­­cológico". Quanto à indenização das famílias que tiveram parentes vítimas de abuso, o assessor jurídico da CNBB, Hugo Sarubbi, disse que a fixação desse tipo de compensação cabe ao Poder Judiciário. "Não é possível falar de política padrão para indenização, depende de cada caso. Não cabe à Igreja definir uma política indenizatória, cabe ao Poder Judiciário estipular cada indenização."

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