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Dante Mendonça

Os peixinhos de Santo Antoninho

  • Por
  • 30/05/2013 21:08

De Lisboa

Irmãos por parte dos necessitados, a diferença entre São Francisco e Santo Antônio eram os seus ouvintes. São Francisco pregava para os animais, Santo Antônio para os peixes. Um falava com os passarinhos, outro falava com os peixinhos.

Nascido em Lisboa, tendo Portugal tantos peixes e tanto mar ("Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!", versava Fernando Pessoa), Santo Antoninho reunia os seus peixinhos e os orientava: "Robalinho, robalão, sirva-se com batatas ao murro! Garoupa, garoupeta, venha com sal e pimenta! Linguado, assim ou assado, junte-se aos bons. Polvo, que o povo te prefere à lagareira! Pescadinha, teu lugar é na cozinha! Sardinhas, venham do jeito que vierem, venham suprir a fome dos humildes!". E assim falava Antônio ao seu cardume, até que um dia caiu em suas orações um peixão alienígena. "Quem és tu, irmão do mar?", perguntou. "Meu nome é gadus morhua, mas podes me chamar de bacalhau. Encontro-me aqui perdido, venho de águas geladas em busca de abrigo".

"Aqui sempre terás um bom abrigo, irmão!", e puxou aquele peixe pesado e lento para junto de si. Ao observar a brancura e maciez de sua carne branca, a mais alva dos peixes de carne branca, o santo lisboeta teve uma epifania: "Serás o peixe que vai mudar o mundo. Depois de salgado e seco ao sol, com 80% de proteína concentrada, dez entre dez navegantes atravessarão os mares graças ao teu sustento. E para a glória do Senhor, serás a estrela guia da Semana Santa". Santo Antônio batizou o gadus morhua com vinho e o convidou a nadar ao lado de Deus: "Vai, descobre a América e o caminho das Índias. Dobra o Cabo da Boa Esperança, mas leva contigo somente o teu corpo, pois tua cabeça há de ficar para sempre em Portugal", teria dito Santo Antônio.

Quem parte e reparte fica com a melhor parte, foi assim que o santo de Lisboa reservou à cozinha portuguesa uma iguaria rara. Se poucos conhecem a cabeça do bacalhau, é porque dele tudo se aproveita. A cabeça é mais saborosa que o corpo, especialmente a garganta, chamada de língua, e os pequenos discos de carne nas bochechas. Se o lombo era o filet mignon, a cabeça do bacalhau era o que restava aos pescadores portugueses depois do trabalho árduo de pescar e salgar aquele pão dos pobres recolhido nos mares do norte.

Antes um dos peixinhos de Santo Antoninho, hoje o bacalhau não mais é encontrado na mesa dos necessitados. Nestes tempos de crise, sumiu a cabeça e ficou o rabo. E haja óleo de fígado de bacalhau! Cada vez mais somos levados a crer que um governo honesto continua tão raro quanto a cabeça de um bacalhau.

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