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De tempos em tempos, alguém pisa no calo da Humanidade. Mostra que o ser humano não é o centro de todas as coisas. O psicanalista Sigmund Freud chamou isso de as "feridas narcisísticas" do homem. A primeira delas foi a descoberta, por Nicolau Copérnico, de que não era o Sol que girava em torno da Terra, mas o contrário. Ou seja, não somos o centro do sistema solar; muito menos o do universo – somos apenas um pequeno planeta periférico.

Outra chaga em nossa auto-estima humana foi aberta pelo mesmo Freud ao apresentar sua teoria do inconsciente. O psicanalista revelou que muitas de nossas ações são comandadas por uma espécie de "irmão gêmeo das sombras" que habita nossa mente e que a razão nem sempre consegue controlar. O ser humano não era mais nem mesmo o centro de si mesmo.

A tríade de feridas narcisísticas descritas por Freud se completa com a descoberta da evolução das espécies, concebida e divulgada pelo naturalista inglês Charles Darwin há 150 anos – cuja história será contada na exposição "Descubra o Homem e a Teoria Revolucionária que Mudou o Mundo", a partir de amanhã, no câmpus da Universidade Positivo, em Curitiba. Com Darwin, o homem deixava de ser o ápice da criação. Afinal, ele revelou que somos herdeiros de um mesmo ancestral que os chimpanzés – com quem temos 99% de semelhanças genéticas.

O naturalista inglês tirou de Adão e Eva a aura de fato histórico, mas curiosamente acabou reabilitando-os no campo da simbologia. Foi a mesma humaníssima sede de conhecimento de Darwin que teria levado o casal bíblico a cair na tentação de morder a famosa maçã da árvore da ciência do bem e do mal. Darwin, assim como Freud e Copérnico, nos fez provar do mesmo fruto: o saber, com todas suas conseqüências boas ou ruins – nem que seja a descoberta de que não somos o centro de tudo.

Em tempo: para quem não tem problemas com ego ferido, a mostra sobre a história de Darwin promete, pois já foi apresentada em São Paulo e no Museu de História Natural de Nova Iorque. Quem tiver interesse de acompanhar a exposição sobre Darwin, que estará em Curitiba até 30 de novembro, pode obter mais informações pelo site www.darwinbrasil.com.br.

Fernando Martins é jornalista.

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