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Boa sorte a todos que terão de enfrentar o comércio e a multidão de gente querendo comprar presentes de Natal essa semana. Em Brasília, dizem, a coisa está ainda mais corrida. Com tanto vai e vem de impeachment, CPIs, escândalos e delações premiadas, mal deu tempo para os deputados irem atrás das lembrancinhas de Natal para a família e amigos, uma off-shore que fosse, coisinha simples, só para a data não passar em branco.

Para atrapalhar ainda mais a vida dos parlamentares, o projeto do shopping dentro do Congresso, a custo de R$ 1 bilhão, segue parado. Um shopping só para deputados seria uma mão na roda em Brasília. Se o centro comercial já estivesse em funcionamento, os deputados teriam muito mais coisas para fazer. Poderiam ir à praça de alimentação comer um lanche durante aquelas sessões modorrentas do plenário, por exemplo. Quando fossem acusados de receber dinheiro de propina, poderiam incluir como prova o ingresso do cinema no processo, o que seria um ótimo álibi. Outra opção seria usar o tempo livre, que sobra quando não se está no olho de alguma investigação de corrupção, para comprar ternos novos (dizem que a proposta do shopping não caberia ao Poder Judiciário porque, segundo um magistrado, os juízes têm gosto mais refinado, com preferência por adquirir ternos em Miami).

Corre à boca pequena em Brasília que muitos deputados preferem não reclamar. Afinal, alguns colegas estão em situação bem pior

Viagem nesse fim de ano, então, nem pensar para boa parte dos parlamentares. Com a Justiça de olho nas contas no exterior, o momento é de seguir o fluxo da maioria da população, que está economizando porque não tem mesmo, e deixar o dinheiro quieto. Nada de movimentar grana com passagens e hotéis para não dar na cara. Além disso, não dá para curtir a vida enquanto o país pega fogo – principalmente se boa parte dessa chama foi causada por você mesmo.

Portanto, 2015 terá um fim de ano bem mais tranquilo e modesto para os deputados brasileiros. No máximo um resort ali no Caribe, até para dar uma esfriada no noticiário aqui no país. Se a opção for por passar as festas de Natal e ano-novo aqui no Brasil mesmo, a frota da Força Aérea é uma boa maneira de economizar, desde que usada com parcimônia para a imprensa não incomodar depois com manchetes cobrando a devolução do dinheiro.

Sem contar que não anda nada fácil hoje em dia fazer câmbio de moeda para viajar. Com tantos doleiros presos, está difícil arranjar alguém de confiança que troque uns reaizinhos por dólares, coisa pouca, duas ou três malas de dinheiro, se tanto. Quantia suficiente só para pôr o pé no mar e pegar um sol nas Ilhas Cayman ou comprar um chocolatinho na Suíça.

Mas, apesar desse cenário, corre à boca pequena em Brasília que muitos deputados preferem não reclamar. Afinal, alguns colegas estão em situação bem pior, forçados a economizar ainda mais nesse fim de ano: vão passar Natal e réveillon em quartos simples, sem ar-condicionado e tevê a cabo, dividindo beliches com outros hóspedes e com refeições que passam bem longe de ter a assinatura de um chef.

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