Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Nostalgia

No tempo do piá

Meninos jornaleiros em frente do Diário da Tarde, na Rua Dr. Murici, em 1939 |
Meninos jornaleiros em frente do Diário da Tarde, na Rua Dr. Murici, em 1939 (Foto: )
Pequenos vendedores esperando a saída do jornal, em 1938 |

1 de 4

Pequenos vendedores esperando a saída do jornal, em 1938

Final da década de 1940: crianças apresentando dança folclórica no Coritiba F.C. |

2 de 4

Final da década de 1940: crianças apresentando dança folclórica no Coritiba F.C.

Jovens contratados pela prefeitura para captura de cães vadios, na década de 1930 |

3 de 4

Jovens contratados pela prefeitura para captura de cães vadios, na década de 1930

Menina declamando em festa escolar, no ano de 1948 |

4 de 4

Menina declamando em festa escolar, no ano de 1948

Com o título acima, foi publicado na antiga revista Panorama, em abril de 1981, um levantamento da memória dos folguedos da gurizada em Curitiba nas décadas de 1930 a 1950, matéria essa de minha autoria. Lembro que, ao sair, o impacto nostálgico criado nas pessoas que viveram suas infâncias nas épocas retratadas foi tal que em prazo de uma semana a revista estava esgotada, e cópias xerocadas se faziam em todos os cantos.

A palavra piá, que estava um tanto esquecida, graças a outros termos adventícios, ressurgiu com força. Até a prefeitura aproveitou-se do acontecimento criando um projeto para a infância com a sigla de PIÁ.

Foram levantadas todas as modalidades de diversões praticadas na infância de então. Hoje, a meninada chama de pelada um racha de futebol. No tempo do piá era trêne. Quem não jogava bem era lazeira, e os chutões que maltratavam a bola eram ditos como bicancas. Naqueles tempos, Curitiba era cheia de campinhos onde a piazada caprichava em seus trênes. Durante o verão, tais campinhos estavam cheios de um espinho, que pela forma era denominado espinho de roseta. Como todo mundo jogava descalço, era um sofrimento.

A vida da piazada era regulada por um calendário especial. Logo que as aulas começavam, em março, surgiam as figurinhas de coleção, sendo as Balas Zequinha as mais famosas. Em torno das figurinhas surgiam as disputas em jogos denominados Tique, onde os jogadores, munidos de moedas ou arruelas, faziam-nas ricochetar nas paredes, sendo que aquele que chegasse mais perto da primeira jogada ganhava uma figurinha do rival. Quando a moeda acavalava na outra era o bejê – valia duas figuras.

Em Curitiba, as bolinhas de vidro eram chamadas de bolinhas de búrico e o jogo também era disputado a ganha, onde valiam bolinhas ou figuras. Outra competição em cima das figuras das Zequinhas era o jogo de bafo, quando os competidores tentavam desvirar as figuras fazendo rápida sucção com a palma da mão em concha. – Não vale Guspo!

O mês de junho chegava e com ele a época em que o céu se enchia de balões, dos mais variados formatos e tamanhos. Em agosto começavam os ventos e com eles a piazada empinava as raias, que coloriam o azulão do céu curitibano de então. Aqui nunca eram usados os termos pipa ou papagaio: e eram raias, tanto fazendo possuírem rabos ou não. A mais famosa e cobiçada era a raia bidê.

A matéria inserida na revista Panorama, infelizmente, pela sua extensão de seis páginas, não cabe aqui na Nostalgia. No entanto, tentarei publicá-la na íntegra em outro espaço, no futuro. Hoje, mostramos algumas fotografias antigas de crianças em atividades. Na década de 1930, temos os pequenos jornaleiros e os caçadores de cães vadios, trabalhadores maltrajados e descalços retratando a miséria daqueles tempos.

Vemos outras crianças mais afortunadas participando de uma dança folclórica nos gramados do Coritiba F.C., assim como uma menina declamando uma poesia durante festa escolar no Grupo Xavier da Silva. E na imagem pequena, uma foto de mim mesmo em 1938, mostrando o que setenta anos de existência pode nos aprontar. Termino com uma saudação especial pelo Dia da Criança a todos os leitores, para que lembrem aqueles tempos já vividos e que não têm retorno.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.