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Rodrigo Wolff Apolloni

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“Batagaika” – ou o mais novo buraco misterioso russo

Os pesquisadores garantem que é bom o mundo ficar preparado, porque outras crateras pipocarão por aí por causa da razão calorífica

  • rwapolloni@gmail.com
 | Giovanni Mastrangelo/Google Maps
Giovanni Mastrangelo/Google Maps
 
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Provavelmente vão dizer que eu estou de caso com a Rússia, que tenho um medo secreto da nova velha superpotência ou, então, que a insistência temática é fetiche de um antigo jogador de War que sempre optava pelas pedras vermelhas. Fato é que, mais uma vez, o maior país em extensão territorial do mundo volta ao meu radar cronístico por causa de suas sempre fantásticas idiossincrasias.

Agora, leio em jornais estrangeiros que cientistas descobriram, nos confins da Sibéria, na República de Sakha ou Iacútia, uma cratera gigante. Mais uma, na verdade, dentre as muitas crateras gigantes misteriosas recentes, buracos como os fotografados em 2014 na Península de Yamal (“Fim do Mundo”, em bom samoiedo local) e que parecem os furos de um colossal queijo suíço.

A forma do acidente geológico lembra uma arraia jamanta ou um bicho fantástico do espaço sideral

A “cratera do momento” – voçoroca para devastador ambiental nenhum botar defeito – só ficou conhecida do resto do mundo porque os moradores do local, que a batizaram com o simpático nome de Batagaika (“Porta do Inferno”), não sabiam bem como explicar aquele enorme buraco. Na dúvida, nunca falaram a respeito e, para evitar incômodos com o misterioso geológico, também não ficam se fresqueando pelas beiradas.

Olhando para uma foto da dita cuja, tem-se a impressão de que, de fato, não é lá coisa muito favorável: um enorme rasgão em uma encosta de montanha onde, até pouco tempo atrás, havia uma floresta escura, eterna, assentada sobre o permafrost, tipo de solo congelado que normalmente abriga restos de mamutes e outras bossas paleolíticas. O pior é a forma do acidente geológico, que lembra uma arraia jamanta ou um bicho fantástico do espaço sideral – com 1 quilômetro de extensão, 85 metros de profundidade e uma taxa de crescimento de 10 metros ao ano.

Os cientistas, maravilhados, dizem que a cratera é “apenas” resultado do aquecimento global (levem o Trump até lá, please), e que nas paredes do grande furo é possível encontrar em detalhes toda a história natural da região dos últimos 200 mil anos, dos próprios mamutes à espada de Conan, o Bárbaro (que incluí na história por puro deleite literário).

Os pesquisadores garantem, ainda, que é bom o mundo ficar preparado, porque outras arraias jamanta, digo, outras crateras pipocarão por aí por causa da razão calorífica.

Mesmo que apareçam, porém, não terão o mesmo estranho charme de sua antecessora do extremo leste. Na Rússia e na Sibéria – palácio e sala do tesouro de todos os mistérios – reside a última razão dos românticos.

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