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Para entender

Como a quebra de patente de medicamentos ameaça a inovação no Brasil?

Enquanto gramde parte das propostas demora anos para avançar, projeto de lei sobre quebra de patente de canetas emagrecedoras pode ser aprovado na Câmara em menos de um mês. (Foto: Sweet Life / Unsplash)

A Câmara dos Deputados analisa em regime de urgência a quebra de patente da tirzepatida, base do medicamento Mounjaro. Especialistas alertam que a medida, embora busque democratizar o acesso, pode gerar insegurança jurídica e afastar investimentos em novos tratamentos no país.

O que significa a quebra de patente proposta pelo Projeto de Lei 68/2026?

A proposta trata da licença compulsória da tirzepatida, um princípio ativo de canetas emagrecedoras. Na prática, isso permite que outras empresas fabriquem o remédio antes do prazo legal de exclusividade da farmacêutica Eli Lilly, que detém a patente. O objetivo do autor, deputado Mário Heringer, é reduzir o preço e facilitar o acesso da população ao tratamento, mas a indústria vê a medida como um risco ao retorno financeiro de pesquisas bilionárias.

Qual é a principal preocupação dos especialistas do setor saúde?

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e entidades como a Interfarma temem que a tramitação acelerada impeça um debate técnico profundo. Eles alertam que a quebra de patente pode causar um 'ganho' de curto prazo com preços menores, mas um prejuízo pesado no futuro: o atraso na chegada de remédios modernos ao Brasil. Nenhuma empresa quer investir milhões em pesquisa se não tiver a garantia de que poderá explorar sua descoberta comercialmente.

Como funciona o sistema de patentes para medicamentos no Brasil atualmente?

A regra segue a Lei de Propriedade Industrial. Uma empresa protocola o pedido no INPI, processo chamado de 'depósito'. Embora a proteção legal seja de 20 anos a partir dessa data, a burocracia para aprovação técnica — que envolve também a Anvisa — consome cerca de cinco anos. Assim, as empresas costumam ter cerca de 15 anos de mercado exclusivo para lucrar e recuperar o que foi gasto no desenvolvimento da molécula.

Existem alternativas à quebra de patente para reduzir os preços?

Sim. Analistas sugerem que acordos comerciais diretos entre governos e farmacêuticas são mais eficazes. Um exemplo recente ocorreu nos Estados Unidos, onde o governo conseguiu reduzir o preço da tirzepatida em até 85% por meio de negociações, sem precisar anular a patente. Isso mantém o ambiente seguro para investimentos e, ao mesmo tempo, amplia o acesso da população ao medicamento.

O que o governo federal está fazendo para levar essas canetas ao SUS?

O Ministério da Saúde tenta incorporar ao sistema público versões mais antigas das canetas emagrecedoras, feitas à base de liraglutida e semaglutida (do Ozempic). A patente da liraglutida já expirou, abrindo espaço para uma versão nacional da EMS. Contudo, há uma disputa judicial: a Novo Nordisk conseguiu esticar a validade da sua patente até 2033 alegando demora no INPI, o que trava a entrada do genérico nacional no SUS por enquanto.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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