
Uma audiência pública no Senado discutiu, na última quinta-feira (26), a reforma do Código Civil proposta por Rodrigo Pacheco. O projeto sugere mudanças profundas no direito de família, facilitando a dissolução de casamentos e alterando a ordem de sucessão patrimonial para cônjuges e companheiros.
O que muda na prioridade para receber uma herança?
Pelo projeto, o marido, esposa ou companheiro perde o status atual de prioridade. Eles seriam rebaixados para a terceira posição na fila da herança, ficando atrás dos filhos e dos pais do falecido. Na prática, se uma pessoa morre e deixa filhos, todo o patrimônio iria para eles, e o parceiro sobrevivente não receberia nada, a menos que houvesse um testamento prevendo isso.
O que são herdeiros necessários e como isso seria alterado?
Herdeiros necessários são parentes que têm direito garantido por lei a pelo menos metade da herança, mesmo contra a vontade de quem morreu. Hoje, o cônjuge é um herdeiro necessário. O novo projeto retira essa proteção. Isso significa que alguém poderia deixar todo o seu patrimônio em testamento para um amigo ou instituição, deixando o viúvo ou viúva sem nenhum bem.
Como funcionaria o chamado divórcio express?
A proposta busca desburocratizar o fim do casamento. Seria possível realizar o divórcio de forma rápida e extrajudicial (fora da Justiça), sem que o outro parceiro precise concordar com a decisão. Além disso, a sociedade conjugal poderia ser considerada encerrada sem formalidades, apenas pela separação de corpos, ou seja, quando o casal deixa de viver junto.
Quais são as principais críticas feitas por especialistas sobre a proteção à mulher?
Juristas alertam que as mudanças podem prejudicar as mulheres, que muitas vezes sofrem maior impacto financeiro ao cuidar da casa e dos filhos. Críticos dizem que o divórcio rápido pode não dar tempo para a mulher se organizar financeiramente, como ao perder o plano de saúde. Por outro lado, há elogios à proposta de criar uma indenização pelo trabalho doméstico e cuidado com a família.
Por que o projeto permite a renúncia antecipada à herança?
Atualmente, a lei brasileira não permite que alguém abra mão do direito de herdar bens do parceiro antes da morte ocorrer. O novo Código Civil propõe que, no momento de casar ou unir-se estavelmente, o casal possa assinar um pacto renunciando ao patrimônio um do outro. Segundo os autores, isso reflete a realidade das 'famílias recompostas', onde há interesse em proteger o patrimônio para filhos de uniões anteriores.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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