
Ponta Grossa - O aquecedor de água inventado pelo aposentado catarinense José Alcino Alano, que visa a economizar energia elétrica e evita o desperdício de alguns materiais recicláveis que são descartados no meio ambiente, mobiliza estudantes e professores em Ponta Grossa e começa a despertar o interesse da população.
O Colégio Estadual Polivalente está aproveitando a idéia do aquecedor ecológico na cozinha. A água aquecida por um dispositivo elaborado com as garrafas de politereftalato de etila (PET) e as caixas de leite longa-vida (Tetra Park), é usada para lavar a louça e fazer comida, economizando também o gás. Produzido pelos alunos do curso técnico em Meio Ambiente, o dispositivo já atrai o interesses de moradores do bairro. "Uma segunda oficina já está marcada e a atenderá os pedidos feitos pela comunidade", comenta a professora de Geografia do curso, Elenice Leoni Kossovsli Colla.
Paulo Cesar Facin, professor do curso de Física da UEPG, comenta que tem o sistema instalado em casa e que economiza por mês uma média de R$ 20. Segundo ele, a economia gira em torno de 30% do consumo de energia elétrica. Facin comenta que o recurso já está sendo usado como teste também no acampamento Emiliano Zapata do Movimento Sem-Terra (MST) na região de Ponta Grossa. "O sistema usado no Zapata é mais rústico, pois não conta com as garrafas PET, que funcionam como uma estufa, segurando os raios solares infra-vermelhos, mantendo a água quente e evitando que o vento resfrie a água, mas como a caixa dágua é de amianto, retém o calor por mais tempo", explica.
A luz solar, mesmo que o tempo esteja encoberto, emite calor, que aquece a água. O verso das caixas de leite é pintado com tinta acrílica preta e servem como um armazenador de calor, com as garrafas Pet. "No sistema montado como teste, na Casa de Repouso do Idoso Paulo de Tarso, chegamos a registrar 58°C na água", comenta o estudante do curso de Química da UEPG Alan Ben Hur, que participa do projeto coordenado por Facin.
Economia sem riscos
A professora Elone dos Santos, do Colégio Polivalente, comenta que só podem ser usadas garrafas PET de Coca-Cola ou Pepsi de dois litros, pois têm um formato que facilita o encaixe. Ela ressalta que as garrafas devem ser transparentes. Para cada módulo são usadas 60 garrafas PET, 50 caixas de leite longa-vida, três barras de seis metros de cano de PVC, mais as conexões. Para uma residência com duas pessoas, seriam necessários dois módulos, com custo aproximado de R$ 300, "mas esse gasto seria ressarcido em alguns meses na economia da energia elétrica", garante Elone.
O físico Paulo Cesar Facin desmente o mito que as garrafas PET podem gerar algum perigo para os usuários do aquecedor. Segundo ele, as garrafas não são expostas à pressão e nem ao contato com a água: sua utilidade se limita a isolar os canos ou mangueiras do vento. "Além disso, a temperatura da água chega no máximo a 60°C e por isso, não oferece risco algum de explosões" enfatiza.
A iniciativa do aquecedor ecológico conta com o apoio do governo de estado que, através da Secretaria de Meio Ambiente, divulga o aquecedor no projeto "Água quente para todos", do Programa Desperdício Zero. No Paraná também está localizado o maior aquecedor ecológico já construído no país. Instalado na 15ª Companhia de Engenharia de Combate do Exército Brasileiro, na cidade de Palmas, Região Sul, é constituído por 1,8 mil garrafas PET e 1,5 mil embalagens longa-vida.
Em 2007, mais de 3 mil aquecedores já tinham sido confeccionados em 254 cidades do estado. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), nesse ano, ainda não foi feito um levantamento preciso, mas pode ser afirmado que a quantidade de adeptos aumentou consideravelmente em virtude dos cursos de capacitação que já foram ministrados em mais de 300 cidades do estado.



