Não faz muito, as brincadeiras do recreio quase sempre acabavam em choro na Escola Municipal Juscelino Kubitschek, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Acabavam! Agora elas têm mais o que fazer além de correr a esmo de um lado para o outro. O mesmo acontece na Escola Municipal Leonor Castellano, no bairro Boqueirão, na capital.
Tem sido assim em muitas escolas do Paraná, graças à iniciativa de professores que vêem nos intervalos das aulas uma forma de interagir de maneira diferente com os alunos. Na Leonor Castellano, o sucesso tem sido com o Recreio Dirigido. Em Araucária é o teatro que tem empolgado as crianças.
Até o início do ano, quase todos os dias aparecia na sala do diretor da Escola JK uma criança esfolada ao cair nos pedriscos do pátio ou levar um tombo aventurando-se como Indiana Jones no barranco nos fundos da escola. Hoje, esse tipo de incidente é coisa rara. Os alunos têm outros interesses além de correr feito loucos.
Por iniciativa da direção e dos professores, toda sexta-feira tem apresentação de teatro. Os atores são os próprios alunos, que ensaiam em sala de aula e se apresentam para os colegas, que lotam o saguão da escola na hora do recreio para ver o espetáculo. E que espetáculo! A platéia são os 260 alunos da pré-escola a 4.ª série, com idade entre 6 e 10 anos.
Quase sempre a apresentação excede os 15 minutos do recreio, mas não há problema. Afinal, são peças educativas. Elas falam sobre o conteúdo abordado em aula, como meio ambiente, conceitos de cidadania, direitos e deveres do cidadão. "Aqui não tem Lobo Mau, não, nem Branca de Neve", diz o diretor Valdir Alves Camargo.
Reflexo positivo
As mudanças vieram, com crianças mais disciplinadas, concentradas e interessadas em aprender. Nos outros dias da semana, o diretor, os professores, as serventes, as cozinheiras, todos se envolvem nas brincadeiras. Além de jogos pedagógicos, as crianças ainda têm brincadeiras de amarelinha, pula-corda, jogo da velha e xadrez.
Na Escola Leonor Castellano, o Recreio Dirigido foi criado em 2002 (quando a instituição foi municipalizada) e reduziu a zero os casos de acidentes no intervalo, além de praticamente eliminar brigas e agressividade entre os alunos. A constatação é da diretora Nádia Mara Zeni de Sá, que já havia implantado com sucesso a experiência em outra escola que dirigiu. Só mesmo muita criatividade e dedicação para atender a 575 alunos. As atividades são coordenadas pelos professores de Educação Física, com ajuda dos colegas de Arte e de Literatura. Os alunos da 4.ª série são os monitores, cada um responsável por uma brincadeira.
Se antes eles não aprendiam nem a brincar, agora as opções são muitas. Vai do pingue-pongue ao bambolê, do xadrez ao jogo de damas, da perna-de-pau ao pula-corda. Contudo, a mais curiosa das brincadeiras é o "futpano", um jogo diferente de dois times com cinco ou seis jogadores cada. A meta é fazer o gol empurrando um pano no chão com um cabo de vasoura. O pano faz as vezes de bola. (MK)



