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Imigração

Curitiba para chinês ver (e viver)

Busca pela liberdade fez com que 3 mil imigrantes chineses escolhessem a cidade como destino. Eles podem tropeçar no português, mas já pensam no futuro

Pastor da Igreja Presbiteriana de Curitiba, Hugo Wu tem 49 anos e vive na capital há seis meses. “Aqui temos mais oportunidade para crescer na vida.” | Fotos: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Pastor da Igreja Presbiteriana de Curitiba, Hugo Wu tem 49 anos e vive na capital há seis meses. “Aqui temos mais oportunidade para crescer na vida.” (Foto: Fotos: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo)
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Hugo Wu pode se considerar um peregrino chinês em terras latinas. Aos 49 anos, coleciona passagens por México, Argentina e há seis meses vive em Curitiba. Antes, morou por 13 anos em Foz do Iguaçu. Período insuficiente, entretanto, para adquirir fluência no português.

A segurança no diálogo só vem quando começa a disparar incontáveis palavras em mandarim. Traduzidas pela intérprete Lan Hui Fen, as frases ganham sentido. Wu é pastor da Igreja Presbiteriana Chinesa de Curitiba e desde os 23 anos vive fora do país de origem. Ele é um dos cerca de 10 mil chineses que moram no estado – são 3 mil espalhados por Curitiba, segundo estimativa da Associação Cultural Chinesa do Paraná. No Brasil todo, os "chinas" são mais de 200 mil.

Wu carrega na genética a busca pela liberdade. Nasceu em Taiwan, ilha situada a 130 km da parte continental da China. Seus antepassados fugiram da Revolução Comunista de 1949, que abalou as terras chinesas.

Motivações

A busca por maior liberdade política e religiosa foram as principais causas para os chineses deixarem seu país. Se Wu gosta do Brasil? Um sinal positivo e o sorriso estampado no rosto respondem. "Aqui temos liberdade e mais oportunidade para crescer na vida", diz o pastor. Os cultos e as orações entoados na igreja em que atua são todos em mandarim. "Mas para quem não entende a gente coloca alguém para traduzir", comenta.

A tradutora Lan Fei é outra que não esconde os motivos que levam a morar em outros países: "A busca por uma maior liberdade, em um lugar mais calmo, que possibilite maior crescimento profissional". Ela veio aos 11 anos para o Brasil, em 1975. Lan não tem vontade de regressar ao país asiático. "Já estou totalmente adaptada ao Brasil", diz a tradutora.

Porém, a adaptação nem sempre é tão fácil. Herdeiros de uma educação considerada mais rígida, as crianças desde pequenas aprendem a falar mandarim – idioma oficial da China – e outros dialetos característicos da região. "O português acaba sendo a nossa terceira língua", confessa Lan.

Prosperidade

O empresário Lin Chang Chih poderia ser sinônimo da prosperidade que tantos buscam em terras brasileiras. Assim que chegou a Curitiba, na década de 70, queria crescer na vida. Apesar dos percalços, teve a certeza de que aqui as coisas seriam melhores. Hoje, é empresário e proprietário de uma loja na cidade. Mas para os negócios fluírem, um detalhe era essencial: saber a língua do Brasil. A saída foi contratar um professor de português. "Agora, peço licença, que preciso abrir minha loja", despede-se Chih.

Língua e comida típica preservadas

Muitos dos costumes ainda são preservados pelos imigrantes e seus descendentes. O principal é o idioma. Pablo Chang saiu de Taiwan aos 15 anos e foi para Costa Rica, onde residiu por dois anos. Ele e seus pais saíram da China em busca de prosperidade. "A crise entre Taiwan e China era muito grande. Havia até medo de guerra", conta o intérprete de 36 anos.

Ele diz que suas duas filhas são educadas na língua de seu país e que aprecia muito a comida chinesa. Pablo levou quatro anos para falar português fluentemente. Outra marca dos chineses em Curitiba é o grande número de lojas e lanchonetes administradas por eles.

"Os primeiros imigrantes optaram por abrir negócios mais fáceis e que dão lucro para poder dar uma boa educação aos filhos", diz Pablo.

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