
Cansado de sucessivos fracassos com as mulheres desde a infância, o funcionário público Adial Ribeiro Godoy Júnior resolveu desafiar a timidez em 2000. Inspirado pelo Oil Man (identidade incorporada pelo professor aposentado Nelson Rebello, que anda de bicicleta por Curitiba vestido apenas com uma sunga e besuntado em bronzeador), resolveu ele mesmo incorporar outra personalidade para chamar a atenção do universo feminino. Passou a usar uma camiseta em que suas intenções estavam muito bem grafadas: conseguir uma namorada. Mas não qualquer uma. Tinha de ser bonita (de preferência loira e de cabelo liso, a altura não importa) e, como ele, curtir música eletrônica. Nascia o Dance Boy.
De lá para cá, a indumentária do Dance Boy evoluiu. Sempre combinando peças de roupa em azul e rosa com inscrições que deixam claro o intuito em conseguir a tão sonhada companheira, desde 2002 ele anda com o Dance Móvel. O meio de transporte já foi um Fusca, deveria ser um Galaxy, acabou sendo um Del Rey, mas o sonho é que ainda seja um Cadillac. No teto do Del Rey rosa, ano 84, um suporte anuncia a missão de Dance Boy na Terra: "Quero conhecer gatinhas extrovertidas, que curtam dance music e agitem no domingão".
Além do carro, Dance Boy tem também a Dance Bike, também rosa e com luzes. "A intenção do Dance Móvel e da Dance Bike é reproduzir o clima das pistas de dança", explica ele, que costuma freqüentar casas como a Nova Sistema X e a Sociedade Abranches atrás da batida eletrônica.
Todo esse investimento só na transformação do carro foram R$ 2 mil tem surtido pouco efeito. Nesse período, não apareceu nenhum relacionamento firme. "Ainda sou muito tímido. Não sei chegar nas mulheres", confessa.
Mas para Dance Boy a culpa de tanta indiferença com um bom partido como ele recai também sobre o comportamento hostil das moças curitibanas. "Não levo sorte com as mulheres em geral, mas com curitibana é pior. São muito fechadas", ressalta. Opinião compartilhada por moças de outras bandas. "Uma vez, em Santa Catarina, umas moças me perguntaram se as mulheres de Curitiba eram cegas, porque, segundo elas, só assim para não darem bola para mim", enfatiza.
Se as curitibanas não dão chances para o Dance Boy, as forasteiras demonstram simpatia pela outra personalidade de Adial. "Desde que virei o Dance Boy, só fiquei com moças de fora", revela. Questionado sobre quando foi a última vez que uma pequena não resistiu aos seus encantos, Adial primeiro diz não se lembrar bem. Com a insistência, a recordação surge: "Ah, foi há um ano, mais ou menos."
Relacionamento sério mesmo Dance Boy só teve um, na década de 1990. E o mais interessante: ainda sob o anonimato, com o alter-ego de Adial mesmo. Assim mesmo, ele ainda espera que a dupla personalidade o ajude a não passar mais um Dia dos Namorados como hoje: só.







