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criminalidade

De corredor, Paraná vira consumidor

O avanço do narcotráfico sobre o Paraná se dá principalmente pela sua condição geográfica. Por um bom tempo o estado não passava de corredor para que a maconha produzida no Paraguai e a cocaína vinda da Colômbia e da Bolívia chegassem a São Paulo e ao Rio de Janeiro. Como invariavelmente todo estado ou país que se torna rota do tráfico de drogas acaba virando também um mercado consumidor, não demorou e parte dos carregamentos começou a ser comercializada nas principais cidades paranaenses. O maior desafio do combate ao tráfico é, portanto, estancar os canais de entrada de drogas.

As estradas do Paraná são veias abertas por onde se escoam as drogas vindas dos países vizinhos. Até o destino final – Rio, São Paulo e Curitiba – muitas cargas vão se fracionando ao longo do caminho. O crack, a maconha e a cocaína estão presentes em pelo menos 379 dos 399 municípios do estado, segundo o Narcodenúncia 181, programa que inclui as apreensões das polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal. O crack já foi encontrado em 199 municípios, e avança mais rápido do que a cocaína (presente em 135) e está prestes a superar a maconha, que só não chegou a 20 cidades paranaenses.

Só o crack, por exemplo, triplicou sua área de cobertura, que era de 59 municípios em 2004. Como o volume total apreendido representa uma pequena parte da droga em circulação, a abrangência de cada uma dessas drogas pode ser maior. De acordo com os números do Narcodenúncia, desde 2003 foram apreendidas no Paraná 8 toneladas de cocaína, 4,4 milhões de pedras de crack (média de 2 mil por dia) e 521 toneladas de maconha (média de 233 quilos por dia). A maior parte entrou no Brasil por Foz do Iguaçu, o principal polo irradiador de entorpecentes do estado e um dos maiores do país.

A maconha vem direto do Paraguai, o maior produtor da erva no mundo, com uma plantação de 3 mil hectares na região de fronteira com o Brasil. Já a cocaína vem da Bolívia, por intermédio do Paraguai, por onde também passa o seu subproduto, o crack, antes de entrar no Brasil. As BRs 277 e 369 são as principais rotas do narcotráfico, fazendo chegar as drogas aos três maiores mercados consumidores do estado (a 277 liga Foz a Curitiba; a 369, a Londrina e Maringá). Contudo, a função primordial dessas estradas para o tráfico é de corredores para escoar as cargas até os dois maiores mercados consumidores do país: Rio e São Paulo. (MK)

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