O tráfico de drogas é um aspecto negativo, mas as raves não se resumem só a reunir usuários e vendedores de entorpecentes. Produtores sérios, inclusive, rechaçam o comércio de drogas. Fenômeno relativamente recente, as raves se firmaram como uma alternativa de lazer para os jovens e suas produções envolvem cifras cada vez maiores e relevantes.
Curitiba é uma cidade de destaque nesse meio, pelo nível e pela freqüência de suas produções. A cidade conta com um staff respeitado no cenário nacional e abriga hoje a Academia Internacional de Música Eletrônica (Aimec), uma das poucas instituições de formação de DJs do Brasil.
Emprego
Uma festa de grande porte emprega cerca de 50 pessoas diretamente e 150 indiretamente de DJs, produtores, decoradores e seguranças até o pessoal da limpeza e catadores de lixo. O investimento fica entre R$ 35 mil e R$ 120 mil.
Para Marcos Vinícius Souza Coloma, empresário, produtor de raves e um dos mais respeitados DJs de Curitiba, conhecido no meio como Marc2S (Marc Doble Ess), o tráfico nas festas gera prejuízos à produção formal do evento. "Quem usa droga deixa de consumir no bar e na lanchonete da festa", diz ele. "Ou seja, os traficantes não geram retorno nenhum aos produtores. Pelo contrário, geram gastos, já que o serviço médico contratado pela rave, que custa R$ 900, tem que atender os usuários de droga."
As drogas, salienta Marcos, podem acarretar ainda outros tipos de prejuízo. "O drogado perde a noção das coisas. É comum gente entorpecida subir no palco, podendo quebrar o equipamento de música." Por esses motivos, alega Marcos, a presença mais intensa da polícia em raves é muito bem-vinda.
Para Eduardo Burko, também DJ e produtor de uma das maiores festas raves de Curitiba, conhecido no meio como Phantoxe, considera que a ação da polícia no combate ao tráfico em raves está sendo positiva.
Mas ele ressalta que os resultados não ocorrem da noite para o dia. "A gente sabe que tem policiais infiltrados nas festas. Mas eles não querem prender o pequeno traficante, mas os grandes distribuidores. Isso é o correto."
Burko informa que produções sérias emitem toda a documentação necessária para a realização da festa, que vai desde alvarás expedidos pela prefeitura e Corpo de Bombeiros, até a liberação por parte da Polícia Civil. "A recomendação que fazemos é de que a pessoa vá para se divertir, avaliar a produção e que deixe a droga de lado", indica.



