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Dilma diz que ocupação irregular é regra, não exceção

Presidente visita áreas afetadas no Rio de Janeiro e culpa ausência de políticas de habitação pela tragédia

A presidente Dilma Rousseff e o governador do Rio, Sérgio Cabral, visitam área devastada pela chuva no Rio: culpa pelo desastre é das ocupações irregulares | Valter Campanato / Agência Brasil
A presidente Dilma Rousseff e o governador do Rio, Sérgio Cabral, visitam área devastada pela chuva no Rio: culpa pelo desastre é das ocupações irregulares (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

Rio de Janeiro - A presidente Dilma Rousseff disse na tarde de ontem, em Nova Fri­­burgo, que a construção de moradias em áreas de risco é a regra, não a exceção no Brasil. Ela culpou a ausência de políticas de habitação pela tragédia que atinge a região serrana do Rio de Janeiro. "Quando não se tem políticas de habitação, a pessoa que ganha até dois salários mínimos vai morar onde? Vai morar onde não pode", disse Dilma durante entrevista coletiva.

Questionada sobre a diferença nos investimentos feitos pelo governo federal em 2010 na prevenção e na recuperação dos desastres, a presidente afirmou que é necessário articular políticas. "Ge­­ralmente, olham para a questão da Defesa Civil e acham que são problemas pontuais. Mas a prevenção não é uma questão de Defesa Civil apenas, ela é uma questão de saneamento, drenagem e política habitacional", afirmou.

Para Dilma, o momento vivido pelos moradores é "dramático" e as cenas que presenciou são "muito fortes". A presidente disse ainda que o estado vive agora o momento de resgate das vítimas, mas alertou que a prevenção contra novas tragédias terá de ser levada em conta pelas autoridades. "Estamos aqui para garantir que o momento da reconstrução será também o momento da prevenção."

Após sobrevoar as áreas, a presidente anunciou que vai auxiliar a reconstrução das cidades, implementar medidas para prevenir deslizamentos de encostas e subsidiar a moradia das 5 mil famílias desabrigadas em Petrópolis, Tere­­sópolis e Nova Friburgo. "É um in­­vestimento que diz respeito ao fato de que houve no Brasil um absoluto desleixo em relação à população de baixa renda, que não tinha onde morar. Então, eles foram morar aonde? Em fundo de vale, beira de córrego e rio, e encosta de morro’’, disse ela.

Populismo

Já o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que acompanhou Dilma na visita e na entrevista, culpou as prefeituras das cidades da região serrana pelo incentivo à moradia em áreas de risco. "Lamentavelmente, o que nós tivemos em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, da década de 1980 pra cá, foi um problema muito semelhante com o que ocorreu na cidade do Rio, que é a desgraça do populismo. Deixar a ocupação pelos mais pobres em áreas de risco", comentou.

Cabral disse ainda que, apesar de haver mortos que estavam em casas de alto padrão, a maioria das vítimas são "pessoas humildes". "No meu governo, não acharei que é um problema do governo estadual. Nossa missão também é diminuir os problemas causados pela chuva. Se chover muito vai deslizar, mas não vai morrer gente. Vamos articular todos os programas que podem tratar isso", disse Dilma. Cabral fez um apelo à po­­­pu­lação que mora em áreas de risco para que deixem suas casas e procurem abrigos ou a casa de parentes. "A previsão do tempo não é tranquilizadora, e novos deslizamentos podem ocorrer." Segundo Cabral, tramita no Banco Mundial um pedido de empréstimo de R$ 1 bilhão para comprar terrenos para abrigar famílias removidas de áreas de risco.

FGTS

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou ontem a liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FTGS) para as vítimas da tragédia e para moradores de cidades com decreto de situação de emergência ou estado de calamidade pública.

Doações

Veja como ajudar as vítimas das chuvas no Rio de Janeiro:

Nas Ruas da CidadaniaÁgua mineral (lacrada), roupas, cobertores, colchonetes e itens de higiene pessoal, como sabonete, pasta e escova nova de dente, fraldas descartáveis e absorventes femininos podem ser entregues nas Regionais/Ruas da Cidadania, na sede central da prefeitura e na Fundação de Ação Social (FAS).

No Hospital da Cruz Vermelha

O hospital fica na avenida Vicente Machado, 1.310 (Batel). O telefone é o (41) 3016-6622.

Nos postos rodoviários

Todos os postos da Polícia Rodoviária Federal no Paraná também recebem donativos.

Por depósito bancário

A prefeitura de Teresópolis abriu uma conta bancária: 110000-9, agência 0741, do Banco do Brasil.

O banco Itaú também recebe quantias pela conta 00594-7, agência 5673. As doações podem ser feitas pela internet, rede de agências e nos caixas eletrônicos.

A Caixa abriu uma conta em nome da Defesa Civil do Rio de Janeiro. Os depósitos devem ser feitos na agência 0199, conta 2011-0 e para a operação 006.

O Bradesco tem uma conta. A agência para os depósitos é a de número 6570-6 e a conta é 2011-7.

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