
Foi-se o tempo da ostentação, pelo menos, entre as celebridades. É cada vez mais comum ver astros de Hollywood trocarem a limusine pelo carro híbrido, as grandes grifes pelos brechós e transformarem os seus lares em verdadeiros modelos sustentáveis, com direito a painéis solares, banheiros ecológicos e sistema de compostagem.
Bons exemplos não faltam. Os atores norte-americanos George Clooney, Harrison Ford, Natalie Portman, Cameron Diaz, Leonardo Di Caprio, Angelina Jolie e Brad Pitt são apenas alguns dos membros de um grupo cada vez maior de celebridades que usa a sua imagem e prestígio em prol do meio ambiente. Em viagem ao Brasil, a atriz Sigourney Weaver e o diretor do filme Avatar, James Cameron, participaram de vários atos em favor da conservação da biodiversidade, entre eles o protesto contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia.
No Brasil não é diferente. O ator Marcos Palmeira e a top model Gisele Bündchen são apenas alguns dos garotos-propaganda de campanhas contra o desmatamento e o aquecimento global.
Todo esse movimento tem ajudado a transformar o comportamento de um número cada vez maior de consumidores. Ser sustentável está na moda e as celebridades têm colaborado muito para isso.
"As celebridades têm grande poder de influência sobre as pessoas, mas o curioso é que muitas vezes não percebemos o quanto elas nos influenciam e muitas vezes nem elas fazem ideia do poder de encantamento que exercem. Essa manifestação de conceitos ideais gera uma imediata identificação não com o que somos, mas com o que queremos ser ou acreditamos que seja melhor", explica o publicitário Lipsio Carvalho, diretor geral da Plah Marketing Promocional e professor do Unicuritiba.
Tendência verde
Para Carvalho, a tendência verde veio para ficar, já que a preocupação dos consumidores com o futuro do planeta é crescente. "Fica cada vez mais claro para todos que as atitudes que tomamos hoje se refletem no nosso futuro e de nossos filhos. Esse pensamento começa a reverberar no comportamento das marcas e em sua comunicação. Nos últimos anos, a comunicação de valores sustentáveis vem gradativamente sendo percebida por consumidores como valor agregado e diferencial e as classes de maior poder aquisitivo já assumem pagar um valor mais alto por produtos que possuam tais diferenciais. Cabe à publicidade continuar construindo tais valores de sustentabilidade como diferenciais para as marcas a ponto de quem não os tiver, automaticamente será classificado como um produto de diferente categoria."
O diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, explica que o uso de personalidades é muito benéfico à divulgação de temas e campanhas, mas desde que eles sejam realmente engajados. "O ideal é que sejam pessoas que já tenham a sua imagem relacionada à causa, caso do ator Marcos Palmeira, que dispensa qualquer tipo de associação. Temos a responsabilidade de buscar para divulgar a nossa organização pessoas que façam a diferença", defende.
Novos valores
A pesquisa Good Purpose realizada anualmente em dez países, incluindo o Brasil, comprova por meio de números uma mudança de valores em todo o mundo. Divulgado em janeiro de 2010, o levantamento, realizado pela agência de relações públicas Edelman, revela que proteger o meio ambiente está entre as maiores preocupações dos consumidores comuns. A pesquisa também mostra que os consumidores reconhecem as boas causas e que estão dispostos a apoiar marcas e empresas que as praticam. No Brasil, 82% dos consumidores ajudariam uma marca a promover os seus produtos se houvesse uma boa causa por trás deles. E, se o preço não fosse determinante, 80% dos consumidores brasileiros prefeririam um carro híbrido a um carro de luxo. A pesquisa também divulgou que 83% dos brasileiros mudariam de marca se outra, de qualidade semelhante, apoiasse uma boa causa.
A consultora de imagem Adriana Izumi já percebeu a mudança de comportamento entre os seus clientes, mas lembra que o alto custo dos produtos "ambientalmente corretos" ainda é uma barreira para que essa tendência se democratize. "É visível a preocupação dos consumidores com temas relacionados à preservação e ao desperdício, em especial na arquitetura e na moda. Falta, porém, tornar estes produtos mais acessíveis. Os produtos orgânicos ou ecológicos ainda são muito caros. Além disso, existem poucas marcas, pelo menos no Brasil, realmente engajadas na causa. Aqui em Curitiba, conheço apenas uma marca de roupas que tem essa preocupação. Espero que mais empresas sigam o seu exemplo, para que tenhamos mais opções de compra no futuro."
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