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História negada

É preciso desmascarar versões fantasiosas dos fatos históricos

Entrevista com Dennison de Oliveira, historiador

Dennison de Oliveira: historiador é contra a proibição do revisionismo | Katie Müller/Arquivo Gazeta do Povo
Dennison de Oliveira: historiador é contra a proibição do revisionismo (Foto: Katie Müller/Arquivo Gazeta do Povo)

O historiador Dennison de Oliveira, da UFPR, diz que o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra é um fato inegável. Veja os principais trechos da entrevista:

Em alguns países, negar o holocausto é crime. Essa proibição é válida?

Sou contra. Aqueles que discordam da versão aceita sobre quaisquer fatos têm de ter o direito de expressar suas opiniões – por mais absurdas que sejam. Cabe a todos que se interessam pela construção de uma sociedade mais justa e mais humana o papel de desmascarar, desmoralizar e ridicularizar versões da História que sejam fantasiosas. A proibição do negacionismo é incompatível com a liberdade de expressão e, no limite, pode levar a um aumento do interesse das pessoas pela adesão às teses negacionistas.

A não-proibição poderia abrir portas para o anti-semitismo?

Não acredito. Afinal de contas, quanto mais os negacionistas se expõem e às suas teses, maior a probabilidade de eles serem desmascarados pelos fatos. É importante que seja amplamente denunciado e repudiado o atual projeto que tramita na Câmara dos Deputados que prevê a criminalização do negacionismo. Se este nefasto e inoportuno projeto for aprovado teremos dado um passo importante na direção da extinção da liberdade de expressão. Não será fechando editoras e silenciando vozes divergentes que construiremos no Brasil uma autêntica democracia.

Como é possível para alguém negar que pessoas eram mortas nas câmaras de gás?

Através de cálculos esotéricos e abstratos, provando que teria sido impossível matar e incinerar tanta gente em tão pouco tempo. A imagem das câmaras de gás é forte e persuasiva, mas não foi ali que morreu a maior parte dos judeus executados pelos nazistas. O genocídio ocorreu em diferentes fases. Um número substancial de judeus foi morto em sanatórios e clínicas alemãs antes mesmo de a guerra começar. O encarceramento de judeus em guetos começa com o início da guerra. Ali foram criadas as piores condições de vida possíveis, a fim de que os judeus "desaparecessem" por frio, fome e doenças. Um verdadeiro massacre de dimensões continentais começou com a invasão da URSS pelos alemães em 1941. Foram criadas forças-tarefas encarregadas de identificar, aprisionar e matar todos os membros do partido ou do governo soviéticos e também os judeus. Estas pessoas, em sua grande maioria judeus, eram mortas por pelotões de fuzilamento. Calcula-se que cerca de 1,5 milhão de judeus tenham sido mortos por esses métodos. À medida que a guerra ia demandando cada vez mais soldados alemães, os judeus passaram a ser retirados dos guetos e usados como mão de obra escrava. Novamente as miseráveis condições de vida cumpriram a tarefa de "desaparecer" com os judeus. Provavelmente outro 1,5 milhão de judeus morreu desta forma. Finalmente, a partir de 1942 teve início a "solução final", nos campos de extermínio. Na menor estimativa cerca de 1,5 milhão de judeus morreram nestes campos.

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