
O excedente de mulheres em relação à população masculina vai dobrar até 2050. É o que mostra a Revisão 2008 da Projeção da População feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 1980, havia 753 mil mulheres a mais do que homens no Brasil. Hoje, já são 3,4 milhões. Em 2050, serão 6,8 milhões. Isso significa que a razão de sexo passará de 98,7 homens para cada 100 mulheres, em 1980, para 94 homens para cada 100 mulheres, em 2050.
A estudante Franciele Ferreira Vilas Boas, 20 anos, já está preparada para o futuro. Ela sabe bem o que é conviver em um grupo predominantemente feminino. Em sua turma no curso de Fisioterapia, na Universidade Positivo, há 24 mulheres e apenas quatro homens. "De certa forma é bacana, nós nos entendemos melhor, somos mais unidas, conseguimos levar as coisas mais a sério, mas há horas que tem arranca-rabo", conta. Segundo Franciele, às vezes faz falta um número maior de homens na turma. "Eles são mais racionais, nós somos mais emotivas", afirma.
De acordo com o IBGE, a desproporção entre o número de homens e mulheres é uma tendência mundial. No Brasil, entretanto, verifica-se uma intensificação deste quadro, já que as mortes violentas nos adultos jovens do sexo masculino passaram a impactar de forma negativa o equilíbrio. Naturalmente, nascem mais homens e morrem mais homens. No Brasil, porém, os homens jovens têm morrido mais do que ocorre normalmente.
Segundo dados do IBGE, a esperança de vida continuou se elevando nas últimas décadas, mas poderia ser superior em dois ou três anos não fosse o efeito das mortes prematuras de jovens devido à violência. Basta constatar, diz o texto do estudo, "que, em 2000, a incidência da mortalidade masculina no grupo etário 20 a 24 anos era quase quatro vezes superior da feminina e, este indicador, ao que tudo indica estaria elevando-se com o passar dos anos".
"Nascem mais homens, mas morrem mais homens. Deve ser algum defeito no nosso projeto de fabricação, pois não conseguimos sobreviver tanto", brinca o analista do IBGE, no Paraná, Luís Alceu Paganotto. A desproporção, segundo Paganotto, não deve trazer conseqüências. "Serão quase 7 milhões a mais de mulheres em uma população de 215 milhões. Isso não causa um impacto muito grande", diz.




