Além de enfrentar uma epidemia de dengue, Ibiporã agora tem outra preocupação. O tipo 4 da doença, considerado mais perigoso, foi identificado no município. A informação foi confirmada pela chefe de epidemiologia da cidade, Sebastiana Riechel, nesta terça-feira (7). Esse pode ser o segundo caso de isolamento viral do tipo 4 no Paraná. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), apenas no município de Paranavaí, no noroeste do Paraná, já havia sido isolado essa variante do vírus da dengue.
O caso de Ibiporã foi notificado em fevereiro, mas só foi confirmado em abril, quando o município passava por um pico de confirmações da doença. Nas contas da Secretaria Municipal de Saúde, na segunda semana de abril foram notificados 172 casos suspeitos de dengue no município.
Os exames para a identificação do tipo viral foram realizados em Londrina, Curitiba e São Paulo, de acordo com Sebastiana. Para a chefe de epidemiologia, o paciente contraiu a doença dentro do município. "O portador do vírus não teve nenhum vínculo com viagens, o que caracteriza o caso como autóctone", explicou. O paciente recebeu tratamento e foi liberado.
Esse não foi o primeiro caso de dengue do tipo 4 ocorrido em Ibiporã. Segundo Sebastiana, em 2012 houve outro registro, mas o paciente havia contraído a doença no estado de Mato Grosso. Um novo levantamento de infestação do mosquito foi iniciado na segunda-feira (6). Os resultados devem ser conhecidos na semana que vem.
Na avaliação de José Carlos Moraes, chefe de Vigilância em Saúde da 17ª Regional de Saúde, o caso é preocupante. "Nós temos registros de dengue nos últimos 15 anos na região. Mas a população está totalmente suscetível ao tipo 4. Aqueles que já contraíram a doença anteriormente e forem infectados por esse tipo estão sujeitos a terem febre hemorrágica da dengue", alertou.
Epidemia era esperada
Para Sebastiana Riechel, as epidemias de dengue, como a que Ibiporã enfrenta hoje, já são esperadas. "A gente espera que a cada três anos haja uma epidemia", afirmou. "Nós mudamos nossas ações de campo a partir de abril, quando estouraram os casos. Mas nesta semana o trabalho voltou ao normal", explicou.
Por outro lado, o chefe de Vigilância em Saúde da 17ª Regional de Saúde afirmou que as epidemias só ocorrem quando há falhas no combate e na prevenção. Segundo ele, há três pontos principais, onde não pode haver falhas: a gestão municipal, responsável pelo gerenciamento das equipes de combate; as próprias equipes de campo, que executam o trabalho de vigilância e fiscalização de focos de dengue; e a população, responsável por manter os quintais limpos de possíveis focos do mosquito.
"No caso de Ibiporã, como o prefeito foi reeleito, não dá para creditar a epidemia a falhas na gestão, já que as equipes administrativas permaneceram", explicou Moraes. "A falha pode ter ocorrido nos dois outros pontos. Ou as equipes apresentaram fragilidade na execução das tarefas de combate à doença, ou a população não se mostrou com educação ambiental suficiente para eliminar os potenciais focos de dengue", apontou.







