O empresário londrinense Faiçal Jannani, sócio-proprietário da Visatec Construções, contra-atacou na quinta-feira (12) o secretário estadual do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues. Ele o acusou de manipular a licitação para escolher a empresa que vai fazer as obras do Jardim Botânico de Londrina, no Norte do Paraná, com a inserção no edital de exigências técnicas que supostamente apenas uma empresa poderia cumprir.
Jannani, irmão do ex-deputado federal José Janene, afirmou que vai interpelar o secretário na Justiça para que explique as afirmações de que a Visatec atrasou a obra, que ainda não saiu do projeto, provocando o cancelamento da licitação.
Na quarta-feira, o secretário acusou a empresa de impedir o desenvolvimento do Jardim Botânico, orçado em R$ 70 milhões, por motivações políticas, em prejuízo da Cidade. Agora, o governo lançará novo edital que anexará a primeira fase do projeto não executado à segunda etapa, com um valor de R$ 10 milhões.
O empresário classificou como "absurda" a exigência dos materiais bolsacreto e colchacreto para construção da barragem do Jardim Botânico. "Só há um único fabricante. Assim, só há uma empresa habilitada ao serviço dessa forma". De acordo com o empresário, "qualquer bom pedreiro" pode executar a barragem sem a necessidade dos materiais requisitados, avaliados como "desnecessários e mais caros".
Jannani também disse não entender o porquê do cancelamento da licitação. "Bastava aceitar o argumento e habilitar todas as empresas que disputam." O empresário considera ilegal o governo abrir uma licitação e depois simplesmente encerrá-la.
Rasca Rodrigues afirmou ontem ter se enganado quanto à informação de que a Visatec havia questionado a licitação na Justiça. "Foi um requerimento administrativo mesmo. O técnico da licitação não tinha muita experiência e me passou informações desencontradas", desculpou-se.
Sobre o direcionamento do processo para escolha da empresa vencedora, Rodrigues afirmou que não poderia avaliar itens técnicos do edital, que são de responsabilidade do Departamento de Construção e Obras (Decon). "A obra do Jardim Botânico é muito especial e variável, com muitos itens. Não me compete a parte técnica".
Rodrigues refutou a acusação de direcionamento e afirmou que duas empresas entre seis Goeth Engenharia e Tucumã ambas de Curitiba, apresentaram o certificado de já terem trabalhado com os materiais questionados pela Visatec. "O que sei que a Visatec é a responsável por postergar a obra, ainda que a licitação ofereça essa possibilidade. A empresa tem todo o direito de me interpelar se quiser", minimizou.



