Morador de Curitiba, Alfredo* começou a soltar balões ainda na infância, aos 7 anos. Hoje, aos 29, é um ferrenho defensor da prática, que considera uma "arte".
O que motiva os baloeiros a aderir à prática?
É uma arte passada de pai para filho. É uma cultura mundial. Apenas no Brasil ela é proibida. E essa arte começou a ser proibida devido ao aumento da quantidade de adeptos, já que muitos irresponsáveis começaram a atuar.
Irresponsáveis porque não tomam cuidados na hora de soltar o balão?
Não podemos nem culpá-las, pois são pessoas desorientadas. Olham no céu, acham bonito e resolvem tentar fazer sem nenhum conhecimento. O ideal seria que houvessem orientações para a prática, como na França, Portugal e outros países, que têm até escolinha pra isso. No exterior, é ensinado na sala de aula a fazer balão, que é solto no pátio do colégio, com toda a segurança.
Você ou seu grupo já enfrentou problemas por causa da repressão policial?
A polícia é despreparada. Já tive amigos que foram detidos por estarem olhando para um balão no céu. O erro é que a sociedade vê o baloeiro como um marginal de favela. E não existe isso. Muitos são pais de família, têm formação superior e capacidade de fazer a coisa certa com a maior segurança possível.
E quais são essas precauções que vocês tomam na hora de soltar os balões?
Antigamente, a tocha do balão era feita de saco de estopa molhada na parafina. Isso já mudou há muito tempo. Hoje é usado algodão molhado na parafina. Aí, o algodão se dissolve quando queima. Vira pó e o balão cai totalmente apagado, sem brasa nenhuma. A maior glória do baloeiro é soltar seu balão, vê-lo desfilar e cair totalmente apagado.
*O nome foi mudado a pedido do entrevistado.






