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Pandemia

Escolas decidem como lidar com a gripe A

Colégio em Curitiba teve aluno com suspeita e preferiu evitar alarde; no Rio, prefeito descarta suspensão das aulas na rede municipal

Na Escola Omar Sabbag, nem todos os pais foram avisados do caso suspeito | Marcelo Elias/ Gazeta do  Povo
Na Escola Omar Sabbag, nem todos os pais foram avisados do caso suspeito (Foto: Marcelo Elias/ Gazeta do Povo)

As escolas terão as férias de julho para pensar nas medidas que devem adotar quando descobrirem um aluno com indícios de gripe suína, ou, pelo menos, tentar padronizar o modo de proceder com os casos. Desde que apareceram alguns estudantes suspeitos de terem contraído a gripe A(H1N1) – também conhecida como gripe suína –, colégios e universidades tomaram diferentes decisões: alguns fecharam literalmente as portas por um período de quarentena e outros decidiram manter as aulas e comunicar o caso suspeito apenas aos pais e alunos que tiveram contato com a pessoa supostamente infectada. Afinal, qual é a medida mais acertada?

Semana passada, na Escola Municipal Prefeito Omar Sabbag, em Curitiba, a nova gripe virou polêmica. Por um lado, professoras questionam a postura da escola, que não suspendeu as aulas nem avisou a suspeita a todos os pais; por outro, a direção diz que não tinha motivo para alarde e que o aluno com caso suspeito foi acompanhado. "Os pais não sabem. Queríamos dispensar os alunos da sala do menino [com a suspeita], mas não houve acordo [com o Núcleo de Educação]", diz uma professora que prefere não se identificar. Segundo ela, a escola não divulgou o caso suspeito e preferiu aguardar o resultado dos exames. "E a cada dia há mais gente tossindo, espirrando e com febre", relata.

O caso é de um menino do ensino fundamental, que viajou ao Paraguai. Dois dias depois de voltar, ele apresentou os sintomas e foi encaminhado para uma unidade de saúde, onde fez coleta de material para exame em laboratório. No mesmo dia, ficou em isolamento domiciliar. A prefeitura diz que os exames ainda não ficaram prontos e que o período de transmissibilidade do vírus, de sete dias, já passou. "O período de uma possível transmissão do vírus se completou e não tivemos nenhum caso de gripe na escola. Nenhum estudante, inclusive da sala do menino, apareceu com os sintomas. Estamos o tempo todo monitorando", explica a chefe do Núcleo de Educação da regional Cajuru, Elizabeth Dubas.

Segundo Elizabeth, a decisão de comunicar apenas alguns pais foi para evitar pânico. "Não escondemos a notícia. Pelo contrário, avisamos pessoalmente os pais daquelas crianças que tiveram contato com o menino. Aliás, eles precisavam saber da notícia para nos ajudar a monitorar", diz. A medida adotada pela escola Omar Sabbag seguiu as orientações do Centro de Epidemiologia de Curitiba, das secretarias de saúde e do próprio Ministério da Saúde. É preciso, em primeiro lugar, evitar o pânico e, depois, partir para a prevenção. Para aliar as duas coisas, médicos infectologistas dão as dicas – já que faz apenas uma semana que os professores receberam, por escrito, como devem ser os procedimentos adotados diante de um caso de gripe suína.

Identificado um aluno suspeito, é necessário isolá-lo do grupo imediatamente. "Se o caso não for grave, ele pode ficar de quarentena por sete dias em casa e, depois disso, voltar à aula", explica o diretor do Centro de Epidemiologia de Curitiba, Moacir Gerolomo. Ele indica que sejam dispensadas apenas as crianças que tiveram contato direto com o aluno, como aquelas sentadas a menos de um metro da carteira dele. "Se durante os primeiros sete dias após a descoberta de um caso suspeito não aparecerem outras crianças com o mesmo sintoma, o vírus está controlado. Se neste período outro aluno aparecer com gripe e for da mesma turma, é aconselhável suspender as aulas apenas desta turma", explica Gerolomo. Agora, se dentro dos sete dias surgirem novos casos também em outras salas de aula da escola, os infectologistas dizem que o ideal é suspender as aulas por uma semana até que não seja mais possível contrair o vírus. "Todos os professores devem saber da suspeita, mas não necessariamente todos os pais. É para evitar pânico", diz.

Para a médica infectologista do Hospital de Clínicas Marta Francisca de Fátima Fragoso, as crianças estão mais suscetíveis a pegar qualquer tipo de gripe porque elas não têm ainda o hábito de colocar a mão no rosto quando vão espirrar e porque costumam se abraçar e se beijar com mais frequência. Entre outras medidas preventivas, é preciso manter as salas sempre arejadas, fazer com que as crianças lavem as mãos mais vezes, ter um controle rigoroso no preparo e manuseio da merenda e esterilizar a sala sempre que possível, com água, sabão e álcool.

Rio de Janeiro

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou ontem que não vai suspender as aulas das escolas municipais mesmo diante do registro do primeiro caso de gripe suína entre alunos da rede. "As autoridades de saúde, por enquanto, nos determinam e aconselham a seguir a vida normal", disse Paes. "Estamos atentos. O caso da menina foi identificado, confirmado e a criança, isolada", completou o prefeito.

Uma aluna de cinco anos da Escola Municipal Waldir Azevedo, em Bangu, zona oeste do Rio, estaria em tratamento contra a gripe na Fundação Oswaldo Cruz. Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Saúde disse que não comenta casos isolados de gripe. No Rio, onde várias escolas particulares suspenderam as aulas ou anteciparam as férias por conta da doença, já foram confirmados 111 casos.

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