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Segurança

Escolas do Uberaba sentem os efeitos de suposto toque de recolher

Percorrendo as ruas do entorno, a reportagem da Gazeta do Povo comprovou que, das sete escolas municipais existentes no Bolsão Audi-União, nenhuma estava em funcionamento na tarde desta sexta-feira (14)

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O boato de que haveria um toque de recolher imposto por traficantes no Bolsão Audi-União, no Uberaba, em Curitiba, fez com que escolas e o comércio fechassem as portas mais cedo. Percorrendo as ruas do entorno, a reportagem da Gazeta do Povo comprovou que das sete escolas municipais existentes no Bolsão, nenhuma estava em funcionamento.

No entanto, conforme a superintendente de gestão educacional da Secretaria Municipal de Educação, Rachel Simas, a orientação era de que as escolas permanecessem abertas e regulares. A superintendente avisa que a ordem partiu após confirmação de não haver insegurança para alunos e funcionários. "Não há nada que justifique o pânico", argumenta. Ela avisa que as escolas que mantêm o programa Comunidade Escola na região, como as escolas Michel Khury, Maria Marli Piovezan, Raquel Mader e Marumbi, irão funcionar normalmente neste sábado.

Na tarde desta sexta-feira (14), o coronel e comandante da 1º Regional da Polícia Militar, Ademar Cunha Sobrinho, negou que houve um toque de recolher no bairro. "O que houve lá foi uma fofoca para tentar denegrir um trabalho que está dando certo", declarou.

Impacto

Mesmo assim, pais de alunos do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Ana Proveller, por exemplo, ao lado do Liceu de Ofícios Uberaba, foram avisados para buscar os filhos antes do horário de saída das aulas, às 17 horas. "Os comentários que estamos ouvindo desde segunda-feira deixam todo mundo em alerta", comenta um pai que não quis se identificar. Na Escola Municipal Michel Khury um pequeno cartaz, afixado no vidro, informava o não funcionamento na tarde desta sexta-feira.

No CMEI Ilha do Mel, do outro lado da Avenida do Trabalhador, a situação era a mesma. Dos 37 alunos que vieram para a escola, somente quatro ainda permaneciam na escola às 15 horas. "Os pais chegaram aqui com medo. E a polícia só sabe dizer que não tem nada. É porque eles não moram por aqui", desabafa a ajudante de cozinha que preferiu não se identificar.

A região é uma das 15 vilas atendidas pela Unidade Paraná Seguro, desde março. Nos últimos dias, conforme informações da Polícia Militar, os 62 policiais que estão fixos na UPS ganharam reforço para incrementar o patrulhamento local.

O motivo

O toque de recolher surgiu na última segunda-feira, após a execução de Ezequiel dos Santos, 21 anos, na noite do dia 7 de setembro. "Kel", como era conhecido, estava entre os suspeitos de envolvimento na chacina ocorrida em 2009, que resultou na morte de oito pessoas. Há também a suspeita de que ele fosse o responsável por outros crimes cometidos na região nos últimos meses. "Com a morte do rapaz, grupos que dominam o tráfico de drogas estariam se movimentando", comenta uma liderança do bairro.

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